quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

DIVERSIDADE NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

 


DIVERSIDADE NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

Rochelli Soares Pontes Milanez¹

 

Resumo:

 O presente artigo tem como objetivo geral entender a relevância da valorização da diversidade e da redução da desigualdade na escola. É também objetivo deste artigo discutir sobre os desafios da gestão escolar. Foi utilizada a metodologia de pesquisa revisão bibliográfica e dialogando com os autores referenciados chegamos à conclusão de que a gestão democrática é a principal ferramenta para a aceitação, valorização e respeito às diferenças no contexto educacional.

 Palavras – chave: Diversidade. Gestão. Democrática. Valorização.


 1 Introdução

 

            É por meio da educação que uma sociedade pode validar, consolidar e até modificar comportamentos. A escola é um ambiente de construções sociais; é dentro da escola que indivíduos podem refletir sobre a realidade social construindo conhecimentos para intervir de forma eficiente no meio em que vivem.

            Considerando isto, entendemos que o contexto educacional é o cenário ideal para fomentar o respeito e a tolerância ao diferente.

            Valores, crenças, ritmos de aprendizagem, configurações familiares, etnias e etc. são alguns dos inúmeros exemplos de diferenças que podemos encontrar na escola.

            É fundamental para professores, alunos, gestores e comunidade em geral, entender os benefícios da gestão para a diversidade como forma de fortalecer as relações sociais, buscando como premissa a tolerância e o respeito.

            A diversidade enquanto tema de estudo nos remete ao rompimento de paradigmas e estereótipos concebidos de forma excludente e preconceituosa.

            O tema não é novo, pois a diversidade cultural tem sido tema de políticas na área da educação brasileira há pelo menos duas décadas, conforme os principais documentos que regulamentam a educação no Brasil, porém muito ainda precisamos avançar em termos de estudos e efetividade e respeito à diversidade.

            No primeiro capítulo falaremos sobre a inclusão digital como um dos principais desafios da diversidade e das novas tecnologias centradas nas diferentes configurações da sociedade atual.

            O segundo capítulo trata sobre a gestão democrática como reconfiguração do papel da gestão escolar na perspectiva da diversidade e logo após apontaremos algumas conclusões sobre nossa investigação.

             

2 Inclusão Digital – desafio da diversidade frente às novas configurações sociais

 

            Embora o ambiente escolar seja um espaço plural onde encontramos todo tipo de diferença, as mudanças de perspectiva sociocultural têm ocorrido de forma lenta e contraditória.

            A gestão da diversidade neste ambiente requer, dentre outras coisas, mudanças estruturais, que não sejam limitadas ao discurso, mas ampliadas para a prática cotidiana dos professores. É necessário compreender que a ação educativa envolve

o respeito pela diversidade e a ação para a igualdade de oportunidades educativas inscreve-se na promoção de um sentido de solidariedade de participação e de intervenção nas comunidades a que cada um pertence enquanto condições para o exercício da cidadania. (Cardoso,2021, s.p.)

            Cabe destacar que a alfabetização digital é ainda um desafio na sociedade atual, pois nem todos tem acesso à diversidade de informações e meios tecnológicos.

É preciso considerar que, hoje, ter acesso ou não à informação pode gerar um elemento de discriminação nessa sociedade tecnológica que se organiza e que interfere em nosso cotidiano – o analfabetismo digital. Entretanto, essa questão pode ser superada pelo desenvolvimento de habilidades, de competências, de obtenção e utilização de informações por meio da tecnologia, da sensibilização de professores e alunos para a presença das novas tecnologias em seu dia- a – dia. (Prata, 2012, s.p.)

Dentro deste contexto é interessante observar que para a escola, uma gestão autônoma que possa desenvolver suas práticas de forma planejada à partir das demandas da comunidade na qual está inserida é fundamental no processo de valorização e afirmação da diversidade.

Para isso, é necessário possibilitar à comunidade escolar vivenciar esse processo de inclusão digital por intermédio de situações potencialmente pedagógicas e catalizadoras que garantam a apropriação e a sustentabilidade dessas tecnologias e, principalmente, que permitam a autonomia da escola na gestão desse processo. (Prata, 2012, n.p.)

Pode-se afirmar ainda que, é um processo desafiador, pois em muitos casos corre-se o risco de apenas permitir a convivência da comunidade com as tecnologias, mas sem necessariamente promover uma inclusão no ambiente digital; para evitar que isso aconteça deve-se compartilhar ideias, ações e decisões entre escola e comunidade, firmando parcerias para gerar sustentabilidade.

Carvalho (p.91,2012) afirma que a diversidade deve ser concebida como um trunfo para otimizar o processo educativo e não como um empecilho à aprendizagem.

Realizar por meio da ação pedagógica práticas de ensino centradas no ideal da igualdade de oportunidades, valorizando a diversidade humana, utilizando os novos meios de acesso, seleção, tratamento e utilização da informação de forma a promover a inclusão social é um grande desafio, que pode ser superado quando o professor compreende -se como agente de valorização da diversidade no contexto educacional.

A diversidade de informações, como fontes e meios diversos, além da diversidade de alunos exige que o professor ultrapasse as competências técnicas e interaja de maneira critica e reflexiva no ambiente de aprendizagem digital.

Para além de competências técnicas para lidar com as NTIC em termos de as inserir no processo curricular, espera-se que os professores desenvolvam perspectivas ideológicas que lhes permitam a análise crítica e reflexiva dos problemas e questões sociais que direta ou indiretamente alimentam aquelas tecnologias; ou seja, de um professor mediador, sistematizador, apoiante de escolhas, capaz de abertura democrática face a diversas perspectivas ideológicas. É uma exigência que vem da necessidade de ter de lidar com a diversidade. Diversidade (e quantidade) de informações com muitas fontes e através de diversos meios; diversidade de alunos e suas famílias definidas por saberes, atitudes e crenças muito diversificadas. (Cardoso,2021, n.p.)

É necessário que a escola valorize a diversidade de configurações sociais de modo a possibilitar uma convivência respeitosa e dinâmica, na qual os alunos consigam perceber-se como protagonistas no processo educativo, tendo as mesmas oportunidades de adentrarem, modificarem, compartilharem e produzirem informações no ambiente digital.

O diretor (...) fica com a missão de identificar e mobilizar diferentes talentos na escola e comunidade para que as metas sejam cumpridas e, principalmente, conscientizar todos para a importância da contribuição individual e coletiva para a qualidade do todo. (Prata, 2021, n.p.)

Nesta nova configuração social na perspectiva da diversidade, o papel do gestor também adquire uma nova vertente como veremos a seguir.

 

2 A gestão democrática como reconfiguração do papel da gestão escolar na perspectiva da diversidade

 

A valorização da diversidade pressupõe mudanças estruturais que se configuram em atitudes e práticas inclusivas mediadas por gestores e professores no ambiente escolar. Há uma nova cultura organizacional, que rompe com o paradigma da homogeneidade e segregação do diferente e adota um paradigma no qual a diversidade é concebida como fator fundamental para o enriquecimento e promoção da boa convivência e maior aprendizagem para todos.

O papel da gestão escolar ganha, assim, uma nova configuração que se regulamenta a partir de políticas públicas de educação.

Em geral, o foco das políticas públicas tem sido o da adoção de um sistema de gestão democrática, com mecanismos que permitam a ampliação da participação dos sujeitos no processo de tomada de decisões em todos os níveis do sistema educacional. A finalidade é dar voz à diferença e respeitar a diversidade cultural e regional das instituições na definição de prioridades educacionais. (Carvalho,2012, p.90)

Nesta perspectiva as instituições de ensino podem desenvolver ações que se concretizem na convivência diária de forma mais eficiente e assertiva, tendo em vista que irá reconhecer as diferenças existentes ali e adequar as situações de aprendizagem de forma a promover a aceitação e valorização da diversidade.

Carvalho (2012, p.91) cita entre as principais ações registradas nos documentos de política educacional brasileira, ações voltadas para:

·         Reconhecimento das diferenças e sua adequação às diferentes situações do processo de ensino – aprendizagem;

·         Valores de respeito e de aceitação das diferenças inerentes a uma sociedade global e democrática;

·         Incentivo de atitudes de aceitação e valorização da diversidade por parte da comunidade educacional;

·         Formulação de um projeto educacional institucional que contemple a atenção à diversidade;

·         Gestão comprometida com a aprendizagem e participação de todos os alunos;

·         Adequação do nível de formação docente que atenda às demandas da diversidade e das necessidades educacionais especiais;

·         Desenvolvimento de um currículo amplo, diversificado e equilibrado;

·         Adoção de um estilo de ensino flexível, aberto e baseado em metodologias ativas e variadas;

·         Promover a participação e interação de todos estabelecendo critérios de avaliação e promoção flexíveis;

·         Ter abertura e relação de colaboração com outros setores da comunidade, desenvolvendo uma gestão democrática.

O que implica dizer que a participação social se refere a defesa do coletivo, e no esforço coletivo a sociedade democrática é construída, buscando princípios de igualdade de condições de vida.

A gestão na perspectiva da diversidade configura-se na gestão democrática, a qual defende a participação social, valorizando as diferenças e garantindo espaço de inclusão de todos os atores envolvidos no processo de ensino aprendizagem, bem como de toda a comunidade na qual a escola está inserida.

O reconhecimento e a valorização da diversidade, o tratamento diferenciado dos alunos, por meio de uma pedagogia adaptada às suas necessidades individuais e às suas diferenças, bem como a participação das comunidades locais (...) constituiriam o caminho para a inclusão escolar e social. (Carvalho, 2012, p.96)

O gestor é, neste contexto, um educador, mediador e mobilizador social e deve buscar desempenhar seu papel buscando construir coletivamente a proposta pedagógica, um projeto político pedagógico direcionado à diversidade e participação social, irá nortear a inclusão escolar, social e tecnológica.

 

 

 

 

 

 

 

 

3 Considerações Finais

 

            A diversidade cultural, étnica e social, bem como seu impacto no ambiente escolar e a introdução das novas tecnologias da informação e comunicação tem sido tema de debates entre professores, gestores e acadêmicos em todos país, este estudo nos permitiu identificar a inclusão digital como um dos principais desafios da diversidade e das novas tecnologias centradas nas diferentes configurações da sociedade atual

            A análise do referencial teórico nos possibilitou entender a relevância da valorização da diversidade no tocante à redução da desigualdade social no contexto educacional, sendo de suma importância compreender que a inclusão digital é parte do processo de democratização da escola.  

            Foi possível também, observar que na perspectiva da diversidade, a gestão democrática constitui-se como uma nova cultura organizacional, permitindo identificar e valorizar as diferenças incentivando a boa convivência e aceitação das mesmas.

A gestão democrática permite ainda, que haja uma maior participação social durante o processo educativo, o que culmina na construção de uma sociedade mais inclusiva, democrática e igualitária.

Onde há não somente igualdade na oportunidade de acesso aos meios tecnológicos e à produção da informação e conhecimento, mas também, igualdade de condições de vida, efetivando assim a inclusão educativa, social e tecnológica.

            Por tratar-se de um tema que ainda permeia o contexto educacional basicamente de forma ideológica, se faz necessário em estudos futuros investigar e descrever práticas de incentivo à aceitação das diferenças no ambiente escolar, bem como práticas de gestão democrática exitosas no que tange à valorização da boa convivência com as diferenças no contexto da comunidade escolar; sugerimos também investigações sobre o impacto do uso de ferramentas tecnológicas nas escolas públicas como prática de inclusão social.

4 Referências Bibliográficas

Cardoso,C.(2021) Os desafios da diversidade e das novas tecnologias. Disponível em: < http:// www.apagina.pt/?aba=7&cat=107&doc=8565&mid=2 >. Acesso em: 05.11.2021.

Carvalho,E.J.G.de.(2012) Diversidade Cultural e Gestão Escolar: Alguns Pontos para Reflexão. Rev.Teoria e Prática da Educação.v.15, n.2, p.85-100, mai./ago.2012. Disponível em:< http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/TeorPratEduc/article/view/20181/10527.>. Acesso em: 05.11.2021.

Prata,C.L.(2021) Gestão Escolar e as Tecnologias. Disponível em < http://www.virtual.ufc.br/cursouca/modulo_3b_gestores/tema_05/anexos/anexo_5_tics_na_gestao_escolar2010_CarmemPrata.pdf >. Acesso em: 05.11.2021.

 

 

           

 

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