Práticas Pedagógicas para Educação Infantil
*Rochelli Milanez
Toda aula é uma oportunidade de conduzir o
coração das crianças a um relacionamento mais íntimo com Cristo. Suas aulas
podem ser dinâmicas, alegres, criativas e espirituais; para isso, você deverá
colocar em prática o que aprendeu, orar, se esforçar para estudar diariamente a
Palavra de Deus, realizar um bom planejamento e utilizar métodos
diversificados, assim como diversos recursos didáticos para facilitar a
compreensão e a aprendizagem de seus alunos.
Esta apostila traz um breve resumo
sobre características infantis, planejamento e recursos didáticos, explicando
de forma objetiva, clara e simples como o professor poderá utilizar estas
técnicas de ensino para melhorar o seu desempenho e o desempenho de seus alunos
nas classes de escola bíblica.
1. Características
das crianças entre 3 e 8 anos.
Logo
abaixo temos um pequeno resumo sobre cada faixa etária e algumas orientações
que podem facilitar o trabalho pedagógico.
O Desenvolvimento da Criança: Até 3 anos
|
Características
|
Orientação
|
|
·
Está desenvolvendo a fala.
·
Imita o comportamento dos adultos.
·
Salta, corre, pula, desenha e dança.
·
Já começa a brincar com outras crianças.
·
Não gosta de dividir.
·
Ainda aceita ajuda dos adultos nas atividades.
|
·
Conversar com a criança.
·
Fazer perguntas e escute o que ela tem a dizer.
·
Contar histórias e cantar com elas.
·
Oferecer materiais para que ela possa desenhar.
·
Ensine-a a dividir os objetos e brinquedos com
outras crianças.
·
Leve para a turma atividades envolvendo música e
movimento.
·
Sempre leve material concreto para contar a
história.
·
Quando realizar uma leitura para elas,
certifique-se que o texto não seja muito longo, pois torna-se cansativo e
certamente elas não vão prestar atenção.
|
O Desenvolvimento
da Criança: de 3 e 4 anos
|
Características
|
Orientação
|
|
·
Preocupa-se com o outro.
·
Gosta de desenhar.
·
É bastante curiosa.
·
Manifesta alguns medos.
·
Preocupa-se com a opinião dos outros.
·
Compreende semelhanças e diferenças.
·
Lembra e conta histórias.
·
Possui memória musical, inclusive cantando
músicas diversas que ouve fora do contexto familiar e congregacional.
·
Pode apresentar dificuldade na interação –
mordidas, brigar para sentar-se no lugar do outro, puxar objetos das mãos dos
colegas, não aceitar dividir objetos apresentando choro, fazer birra para
conseguir algo que deseja.
|
·
Oferecer materiais diversos para realização das
atividades – massa de modelar, papel colorido, areia, garrafas, tampinhas,
latas e etc.
·
Crie uma rotina de aula, para ajudar na
memorização e aprendizagem – Hora da oração, hora do versículo, hora da
história, hora da atividade e etc.
·
Crie ambientes na sala para facilitar a
memorização – cantinho da oração, cantinho da história, cantinho das
atividades e cantinho das regras.
·
Para evitar que as crianças “façam birra” ou
“façam bagunça” sempre diga claramente o que quer que a criança faça, que
comportamento ela deve ter. (Exemplo: Não podem levantar agora, pois estou
contando a história! – Agora você vai
fazer a tarefa, depois vamos brincar juntos.)
·
Sempre que possível elogie ou corrija de forma
amorosa as atividades ou comportamentos que eles manifestarem. (Exemplo –
Juca hoje você bateu no colega e isso deixou ele triste. Peça desculpas para
ele, pois você é um bom menino e não quer que seu coleguinha fique triste. –
Nossa Ana que pintura caprichada, parabéns!)
|
O Desenvolvimento
da Criança: de 5 E 6 anos
|
Características
|
Orientação
|
|
·
Gosta de fazer amigos.
·
O vocabulário aumenta bastante.
·
Expressa seus sentimentos com facilidade.
·
Inventa e conta histórias.
·
Imita as atividades dos adultos – sua maneira de
falar, de andar e até alguns movimentos peculiares.
·
Encontra em fase de descoberta das palavras
escritas. Muitos estão se alfabetizando nesta idade.
·
Tenta realizar suas atividades sozinhos.
·
Gosta muito de brincadeiras.
|
·
Leve para a turma atividades que estimulem a
comunicação entre os alunos, músicas, brincadeiras e atividades manuais em
duplas ou grupos.
·
Faça acordos ou crie regras para evitar que eles conversem
demais durante a aula.
·
Use recursos didáticos que estimulem a
curiosidade (caixa surpresa, lata de versículos, lata de histórias, jogo da
memória, completar versículos e etc.)
·
Você pode escolher a cada domingo “um ajudante”
será a criança responsável pela oração, por colher a oferta, fazer a chamada
e entregar as tarefinhas.
|
O Desenvolvimento
da Criança: de 7 e 8 anos
|
Características
|
Orientação
|
|
·
O senso de responsabilidade está mais
desenvolvido.
·
Percebe com mais facilidade a diferença entre
certo e errado.
·
É mais impaciente com seus professores, começando
a fase de inquietação e de testar os limites.
·
Algumas crianças podem desenvolver uma timidez
que não tinham antes e atividades em que ela tem que se expressar para seus
coleguinhas podem ser ruins para ela.
·
Gosta muito de ser elogiada.
·
Precisa que o professor oriente claramente sobre
o que fazer ou quando iniciar a tarefa.
·
Pode ficar muito zangada se for chamada atenção
de forma brusca e até se recusar a realizar as tarefas ou mesmo voltar à
próxima aula.
|
·
·
Deixar a rotina da turma bem exposta para que as
crianças saibam o que irão realizar naquele dia.
·
Utilizar estratégias em que não precise elogiar
ou reclamar verbalmente. (Mural do comportamento, semáforo do comportamento,
etc).
·
Sempre explicar a atividade antes de entregar
para a criança fazer.
·
Sempre que possível, realize jogos ou
brincadeiras envolvendo o assunto da lição, pois elas aprendem com muita
facilidade brincando.
·
Caso a turminha esteja bastante agitada, não
grite e nem faça ameaças. Apenas chame atenção deles com algum comando:
estátua! - 1,2,3 sentou! – Uma
palminha, duas palminhas, meia palminha, chuva de palminha...
|
2. Organização
e planejamento de uma aula
Planejar as
experiências das crianças é fundamental para que as intenções educativas sejam
revertidas em aprendizagem e desenvolvimento.
É impossível
pensar num ensino bem-sucedido sem pensar num bom planejamento da aula, pois o
sucesso da sua aula depende do seu planejamento.
De
acordo com Figueiredo (2017) um bom planejamento inclui:
1. Oração
2. Leitura Bíblica
3. Antecedência
4. Objetivos
5. Escolha do método
6. Organização do esboço da lição
A oração é
fundamental para a vida cristã, sem ela e sem a leitura sistemática da Bíblia
não haverá ensino bíblico de verdade.
A antecedência é
outro fator fundamental, o professor precisa estudar bem, pois só poderá
ensinar o que aprendeu. Além disso precisa reunir material, recursos didáticos,
objetos, entre outras coisas que auxiliem na compreensão da lição por parte dos
alunos.
Para escolher o
método o professor deve considerar suas próprias características pessoais, seu
domínio sobre determinada técnica, assim como a necessidade de sua turma e a
relação com os objetivos que escolheu.
A organização do
esboço da lição está relacionada ao plano de aula, que é o direcionamento que o
professor vai ter durante sua aula.
O professor deve elaborar um plano de aula. O ensino bíblico
mal administrado pode matar espiritualmente em vez de nutrir. Assim sendo,
deve-se ter cuidado e sabedoria ao ensinar, ao alimentar as ovelhinhas do
Senhor, pois Ele requererá diante do seu Tribunal (Lc. 16.1,2;Rm 12.6-8) (FIGUEIREDO,2017,p.95)
O plano de aula é utilizado para detalhar e
orientar a prática pedagógica, ele funciona como uma espécie de “roteiro” para
as aulas, especificando recursos, conhecimentos prévios, atividades avaliativas
e de fixação, competências e habilidades que deverão ser desenvolvidas pelos
alunos durante a aula.
Não
há um modelo único ou um modelo correto de plano de aula.
De
acordo com Figueiredo (2017) as fases do plano de aula são: Introdução,
Execução e Conclusão.
Introdução – é o momento da aula em que é despertada a atenção e o
interesse dos alunos. É o ponto de
partida, o começo da aula, onde serão transmitidas as informações básicas sobre
o que irão aprender no decorrer da aula.
Execução
– é o momento em que o professor fará a explanação da lição. Fazendo uso da
explicação, simplificação, concentração, ilustração, repetição e aplicação das
verdades bíblicas que estão sendo ensinadas.
Conclusão – este é o momento de encerramento da lição e que poderá ser
feito com cânticos, lembretes e oração final.
Doherty (2008) sugere que um plano de ensino
com sessenta minutos de duração deve conter: cântico, boas vindas e breve
oração, revisão, cântico, tempo de oração, versículo para memorização, lição
bíblica e oração de encerramento.
3. Metodologias
e Recursos para ensinar classes infantis na EBD – Escola Bíblica Dominical
A aula expositiva é o método mais
utilizado por quem trabalha na escola dominical, o professor expõe o assunto
valendo-se de recursos visuais ou audiovisuais e etc.
Para desenvolver um bom trabalho com as
classes infantis é necessário que o professor tenha em mente que as crianças
aprendem através do que vivenciam, das experiências sensoriais e motoras, bem
como das atividades sociais e emocionais.
Ensinar com histórias bíblicas é umas das formas mais eficientes
de transmitir as verdades bíblicas e levar as crianças a novos conhecimentos e
ensinamentos, é um meio de resgatar a memória.
Você pode utilizar vários métodos e recursos para contar
histórias: dramatização, sons, livros, fantoches, brinquedo cantado, tapete de
histórias, avental, flanelógrafo, painéis, mala de histórias, caixa de
histórias, narrativa simples e etc.
O recurso didático é um agente imprescindível nos processos de
observação, análise, síntese e formação de conceitos, além de construir
hipóteses e viver experiências.
Quem trabalha com
educação, especialmente com crianças sabe o quanto é importante despertar a
atenção e o interesse de seus alunos. Uma das formas de fazer isso é
utilizar-se de recursos visuais. Recurso visual é todo material usado para
esclarecer, dinamizar, tornar interessante e atraente o ensino objetivando o
aprimoramento do processo ensino – aprendizagem. Um mapa, uma gravura, um
objeto, um fantoche podem ser utilizados como recurso visual e aumentar
significativamente a capacidade de aprender algo. (EIRAS,2011, p. 1)
Saber que recurso utilizar é tão
importante quanto o recurso em si, a finalidade do uso do recurso deve ser
principalmente de tornar prazerosa e eficiente a aprendizagem.
Ao escolher o RECURSO leve em consideração o
seguinte:
1 – O assunto a ser abordado e o objetivo a ser
atingido. Não utilize um recurso simplesmente porque é bonito, novo ou legal;
ele precisa ter a ver com o objetivo proposto e com a atividade a ser desenvolvida.
2 – O aluno. Respeite a faixa etária e as
características de seus alunos. Certo recurso pode não ser apropriado para uma
determinada faixa etária.
3 – Sua habilidade em utilizar o recurso. É
necessário se preparar e treinar como utilizá-lo para que não haja surpresa na
hora do ensino.
4 – Do tamanho do grupo. Objetos ou imagens
pequenas num grupo grande podem distorcer aquilo que está sendo ensinado ou
causar desinteresse.
5 – O tempo disponível permitirá a utilização de
apenas um recurso ou mais?
6
– Avalie se o ambiente não prejudica a utilização do recurso.
(Idem,2011, p.2)
Deus
também se utilizou de recursos para ensinar o seu povo durante toda a
trajetória bíblica,
Deus ordenou que o profeta Jeremias
fizesse uma canga de madeira para colocar em seu pescoço (Jr 27.1,2). O que
Deus deseja ensinar aos israelitas mediante este sermão simbólico? O horror do
cativeiro. [...] O criador utilizou recursos para falar com pessoas de todas as
idades. Sim. Ele falava para todos os israelitas. (Bueno, 2015, p.20)
É importante perceber que há um
perfil peculiar para trabalhar com crianças.
Se
o professor percebe que não gosta de dinamizar, não tem habilidades para
utilizar recursos didáticos e não se sente motivado a inovar em suas aulas, é
bem possível que este professor esteja desempenhando a função errada.
A Educação Cristã Infantil requer
entre outras coisas: dinamização, criatividade, agilidade e cuidados. É
necessário saber cuidar, brincar e ensinar para poder atuar com crianças.
CONCLUSÃO
Bueno (2015) nos afirma que ensinar é como lançar
sementes, e para germinar, produzir frutos e flores esta semente não pode ficar
guardada dentro de uma gaveta ou em alguma caixa escondida.
A nossa
capacidade criativa, a capacidade de utilizar nossos dons e talentos para a
obra de Deus também não podem ficar guardados. Se algum de vocês tem falta de
sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será
concedida. (Tiago 1.5)
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA,
Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e
Novo Testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição rev. e
atualizada no Brasil. Brasília: Sociedade Bíblia do Brasil,2010.
BUENO,
Telma. Boas ideias para professores de Educação Cristã. Rio de
Janeiro:CPAD, 2015.
DOHERTY,
Sam. Primeiros Passos: um manual simples para o ministério bíblico com
crianças. APEC – Aliança Pró Evangelização das Crianças, 2008.
EIRAS.
Denise Barboza, Criatividade e Arte –
Recursos para todas as ocasiões. Curitiba: Santos Editora, 2011.
FIGUEIREDO,
Helena de. A importância do Evangelismo Infanto – Juvenil. Rio de
Janeiro: CPAD,2017.
FREITAS.Olga, Equipamentos e Materiais
Didáticos.Brasília: UNB,2007. Disponível em : < http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/profunc/equipamentos.pdf > . Acesso em: 12.01.2017.
RANGEL. Rawderson, Recursos Práticos para o Culto Infantil. Curitiba: Santos Editora,
2011.
Sobre a Autora da Apostila - Rochelli Milanez - *Psicopedagoga, Pedagoga, Educadora Cristã, Membro da
Coordenação Geral da UNICADT - União de Crianças da Assembleia de Deus em
Timon; Autora de Cursos de Capacitação no site Buzzero.com.