DIVERSIDADE
NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Rochelli
Soares Pontes Milanez¹
Resumo:
O
presente artigo tem como objetivo geral entender a relevância da valorização da
diversidade e da redução da desigualdade na escola. É também objetivo deste
artigo discutir sobre os desafios da gestão escolar. Foi utilizada a
metodologia de pesquisa revisão bibliográfica e dialogando com os autores
referenciados chegamos à conclusão de que a gestão democrática é a principal
ferramenta para a aceitação, valorização e respeito às diferenças no contexto
educacional.
Palavras
– chave: Diversidade. Gestão. Democrática.
Valorização.
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Introdução
É
por meio da educação que uma sociedade pode validar, consolidar e até modificar
comportamentos. A escola é um ambiente de construções sociais; é dentro da
escola que indivíduos podem refletir sobre a realidade social construindo
conhecimentos para intervir de forma eficiente no meio em que vivem.
Considerando isto, entendemos que o contexto educacional
é o cenário ideal para fomentar o respeito e a tolerância ao diferente.
Valores, crenças, ritmos de aprendizagem, configurações
familiares, etnias e etc. são alguns dos inúmeros exemplos de diferenças que
podemos encontrar na escola.
É fundamental para professores, alunos, gestores e
comunidade em geral, entender os benefícios da gestão para a diversidade como
forma de fortalecer as relações sociais, buscando como premissa a tolerância e
o respeito.
A diversidade enquanto tema de estudo nos remete ao
rompimento de paradigmas e estereótipos concebidos de forma excludente e
preconceituosa.
O tema não é novo, pois a diversidade cultural tem sido
tema de políticas na área da educação brasileira há pelo menos duas décadas,
conforme os principais documentos que regulamentam a educação no Brasil, porém
muito ainda precisamos avançar em termos de estudos e efetividade e respeito à
diversidade.
No primeiro capítulo falaremos sobre a inclusão digital
como um dos principais desafios da diversidade e das novas tecnologias
centradas nas diferentes configurações da sociedade atual.
O segundo capítulo trata sobre a gestão democrática como
reconfiguração do papel da gestão escolar na perspectiva da diversidade e logo
após apontaremos algumas conclusões sobre nossa investigação.
2
Inclusão Digital – desafio da diversidade frente às novas configurações sociais
Embora o ambiente escolar seja um
espaço plural onde encontramos todo tipo de diferença, as mudanças de
perspectiva sociocultural têm ocorrido de forma lenta e contraditória.
A gestão da diversidade neste
ambiente requer, dentre outras coisas, mudanças estruturais, que não sejam
limitadas ao discurso, mas ampliadas para a prática cotidiana dos professores.
É necessário compreender que a ação educativa envolve
o
respeito pela diversidade e a ação para a igualdade de oportunidades educativas
inscreve-se na promoção de um sentido de solidariedade de participação e de
intervenção nas comunidades a que cada um pertence enquanto condições para o
exercício da cidadania. (Cardoso,2021, s.p.)
Cabe destacar que a alfabetização
digital é ainda um desafio na sociedade atual, pois nem todos tem acesso à
diversidade de informações e meios tecnológicos.
É
preciso considerar que, hoje, ter acesso ou não à informação pode gerar um
elemento de discriminação nessa sociedade tecnológica que se organiza e que
interfere em nosso cotidiano – o analfabetismo digital. Entretanto, essa
questão pode ser superada pelo desenvolvimento de habilidades, de competências,
de obtenção e utilização de informações por meio da tecnologia, da
sensibilização de professores e alunos para a presença das novas tecnologias em
seu dia- a – dia. (Prata, 2012, s.p.)
Dentro deste contexto é interessante
observar que para a escola, uma gestão autônoma que possa desenvolver suas
práticas de forma planejada à partir das demandas da comunidade na qual está
inserida é fundamental no processo de valorização e afirmação da diversidade.
Para
isso, é necessário possibilitar à comunidade escolar vivenciar esse processo de
inclusão digital por intermédio de situações potencialmente pedagógicas e
catalizadoras que garantam a apropriação e a sustentabilidade dessas
tecnologias e, principalmente, que permitam a autonomia da escola na gestão
desse processo. (Prata, 2012, n.p.)
Pode-se afirmar ainda que, é um processo
desafiador, pois em muitos casos corre-se o risco de apenas permitir a
convivência da comunidade com as tecnologias, mas sem necessariamente promover
uma inclusão no ambiente digital; para evitar que isso aconteça deve-se
compartilhar ideias, ações e decisões entre escola e comunidade, firmando
parcerias para gerar sustentabilidade.
Carvalho (p.91,2012) afirma que a
diversidade deve ser concebida como um trunfo para otimizar o processo
educativo e não como um empecilho à aprendizagem.
Realizar por meio da ação pedagógica
práticas de ensino centradas no ideal da igualdade de oportunidades,
valorizando a diversidade humana, utilizando os novos meios de acesso, seleção,
tratamento e utilização da informação de forma a promover a inclusão social é
um grande desafio, que pode ser superado quando o professor compreende -se como
agente de valorização da diversidade no contexto educacional.
A diversidade de informações, como fontes
e meios diversos, além da diversidade de alunos exige que o professor
ultrapasse as competências técnicas e interaja de maneira critica e reflexiva
no ambiente de aprendizagem digital.
Para
além de competências técnicas para lidar com as NTIC em termos de as inserir no
processo curricular, espera-se que os professores desenvolvam perspectivas
ideológicas que lhes permitam a análise crítica e reflexiva dos problemas e
questões sociais que direta ou indiretamente alimentam aquelas tecnologias; ou
seja, de um professor mediador, sistematizador, apoiante de escolhas, capaz de
abertura democrática face a diversas perspectivas ideológicas. É uma exigência
que vem da necessidade de ter de lidar com a diversidade. Diversidade (e
quantidade) de informações com muitas fontes e através de diversos meios; diversidade
de alunos e suas famílias definidas por saberes, atitudes e crenças muito
diversificadas. (Cardoso,2021, n.p.)
É necessário que a escola valorize a
diversidade de configurações sociais de modo a possibilitar uma convivência
respeitosa e dinâmica, na qual os alunos consigam perceber-se como
protagonistas no processo educativo, tendo as mesmas oportunidades de adentrarem,
modificarem, compartilharem e produzirem informações no ambiente digital.
O
diretor (...) fica com a missão de identificar e mobilizar diferentes talentos
na escola e comunidade para que as metas sejam cumpridas e, principalmente,
conscientizar todos para a importância da contribuição individual e coletiva
para a qualidade do todo. (Prata, 2021, n.p.)
Nesta nova configuração social na
perspectiva da diversidade, o papel do gestor também adquire uma nova vertente
como veremos a seguir.
2
A gestão democrática como reconfiguração do papel da gestão escolar na
perspectiva da diversidade
A valorização da diversidade pressupõe
mudanças estruturais que se configuram em atitudes e práticas inclusivas
mediadas por gestores e professores no ambiente escolar. Há uma nova cultura
organizacional, que rompe com o paradigma da homogeneidade e segregação do
diferente e adota um paradigma no qual a diversidade é concebida como fator
fundamental para o enriquecimento e promoção da boa convivência e maior
aprendizagem para todos.
O papel da gestão escolar ganha, assim,
uma nova configuração que se regulamenta a partir de políticas públicas de
educação.
Em
geral, o foco das políticas públicas tem sido o da adoção de um sistema de
gestão democrática, com mecanismos que permitam a ampliação da participação dos
sujeitos no processo de tomada de decisões em todos os níveis do sistema educacional.
A finalidade é dar voz à diferença e respeitar a diversidade cultural e
regional das instituições na definição de prioridades educacionais.
(Carvalho,2012, p.90)
Nesta perspectiva as instituições de
ensino podem desenvolver ações que se concretizem na convivência diária de
forma mais eficiente e assertiva, tendo em vista que irá reconhecer as
diferenças existentes ali e adequar as situações de aprendizagem de forma a
promover a aceitação e valorização da diversidade.
Carvalho (2012, p.91) cita entre as
principais ações registradas nos documentos de política educacional brasileira,
ações voltadas para:
·
Reconhecimento das diferenças e sua
adequação às diferentes situações do processo de ensino – aprendizagem;
·
Valores de respeito e de aceitação das
diferenças inerentes a uma sociedade global e democrática;
·
Incentivo de atitudes de aceitação e
valorização da diversidade por parte da comunidade educacional;
·
Formulação de um projeto educacional
institucional que contemple a atenção à diversidade;
·
Gestão comprometida com a aprendizagem e
participação de todos os alunos;
·
Adequação do nível de formação docente que
atenda às demandas da diversidade e das necessidades educacionais especiais;
·
Desenvolvimento de um currículo amplo,
diversificado e equilibrado;
·
Adoção de um estilo de ensino flexível,
aberto e baseado em metodologias ativas e variadas;
·
Promover a participação e interação de
todos estabelecendo critérios de avaliação e promoção flexíveis;
·
Ter abertura e relação de colaboração com
outros setores da comunidade, desenvolvendo uma gestão democrática.
O que implica dizer que a participação
social se refere a defesa do coletivo, e no esforço coletivo a sociedade
democrática é construída, buscando princípios de igualdade de condições de
vida.
A gestão na perspectiva da diversidade
configura-se na gestão democrática, a qual defende a participação social,
valorizando as diferenças e garantindo espaço de inclusão de todos os atores
envolvidos no processo de ensino aprendizagem, bem como de toda a comunidade na
qual a escola está inserida.
O
reconhecimento e a valorização da diversidade, o tratamento diferenciado dos
alunos, por meio de uma pedagogia adaptada às suas necessidades individuais e
às suas diferenças, bem como a participação das comunidades locais (...)
constituiriam o caminho para a inclusão escolar e social. (Carvalho, 2012,
p.96)
O gestor é, neste contexto, um educador,
mediador e mobilizador social e deve buscar desempenhar seu papel buscando
construir coletivamente a proposta pedagógica, um projeto político pedagógico
direcionado à diversidade e participação social, irá nortear a inclusão
escolar, social e tecnológica.
3
Considerações Finais
A diversidade cultural, étnica e
social, bem como seu impacto no ambiente escolar e a introdução das novas
tecnologias da informação e comunicação tem sido tema de debates entre
professores, gestores e acadêmicos em todos país, este estudo nos permitiu identificar
a inclusão digital como um dos principais desafios da diversidade e das novas
tecnologias centradas nas diferentes configurações da sociedade atual
A análise do referencial teórico nos
possibilitou entender a relevância da valorização da diversidade no tocante à
redução da desigualdade social no contexto educacional, sendo de suma
importância compreender que a inclusão digital é parte do processo de democratização
da escola.
Foi possível também, observar que na
perspectiva da diversidade, a gestão democrática constitui-se como uma nova
cultura organizacional, permitindo identificar e valorizar as diferenças
incentivando a boa convivência e aceitação das mesmas.
A gestão democrática permite ainda, que
haja uma maior participação social durante o processo educativo, o que culmina
na construção de uma sociedade mais inclusiva, democrática e igualitária.
Onde há não somente igualdade na
oportunidade de acesso aos meios tecnológicos e à produção da informação e
conhecimento, mas também, igualdade de condições de vida, efetivando assim a
inclusão educativa, social e tecnológica.
Por
tratar-se de um tema que ainda permeia o contexto educacional basicamente de
forma ideológica, se faz necessário em estudos futuros investigar e descrever
práticas de incentivo à aceitação das diferenças no ambiente escolar, bem como
práticas de gestão democrática exitosas no que tange à valorização da boa
convivência com as diferenças no contexto da comunidade escolar; sugerimos
também investigações sobre o impacto do uso de ferramentas tecnológicas nas
escolas públicas como prática de inclusão social.
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Referências Bibliográficas
Cardoso,C.(2021)
Os desafios da diversidade e das novas tecnologias. Disponível em: < http://
www.apagina.pt/?aba=7&cat=107&doc=8565&mid=2
>. Acesso em: 05.11.2021.
Carvalho,E.J.G.de.(2012)
Diversidade Cultural e Gestão Escolar: Alguns Pontos para Reflexão. Rev.Teoria
e Prática da Educação.v.15, n.2, p.85-100, mai./ago.2012. Disponível em:< http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/TeorPratEduc/article/view/20181/10527.>.
Acesso em: 05.11.2021.
Prata,C.L.(2021)
Gestão Escolar e as Tecnologias. Disponível em < http://www.virtual.ufc.br/cursouca/modulo_3b_gestores/tema_05/anexos/anexo_5_tics_na_gestao_escolar2010_CarmemPrata.pdf
>. Acesso em: 05.11.2021.