segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

O que um professor de escola dominical precisa ter e fazer?

 


O PERFIL DO EDUCADOR CRISTÃO 

No mundo contemporâneo, há grandes desafios para a ação docente secular, e em nossas igrejas não é diferente, atuar como superintendentes e professores de educação cristã requer entre outras coisas uma postura abnegada do professor. Pois este é convidado a ser antes de mais da nada, um exemplo de prática do evangelho, ou seja, o professor cristão incorpora em seu perfil a necessidade de ser referencia de vida cristã (modelo a ser seguido), enfatizamos aqui as palavras de Paulo a Tito

 

                                                                Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade,8 linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. ( Tito ,2.7,8)

 

 

            A docência é uma atividade com grande carga ética, entre seus objetivos está a formação intelectual, moral, social e espiritual de seus alunos, em se tratando de educação cristã, ressalta-se aqui a obrigatoriedade de o professor ser referencia ou modelo para sua turma, conforme destacado acima.

            É necessário que o professor (a) esteja aberto ao pensamento inovador, sempre que isso redundar em benefícios para uma melhor aprendizagem para seus alunos. Não podendo conformar-se só com a transmissão mecânica dos conteúdos, mas contribuindo para a preparação deste aluno para a integração social, sendo este um disseminador do conhecimento de Cristo, seja através de seus conhecimentos teóricos, seja através de sua prática de vida permeada pelos valores morais cristãos.

            O perfil do docente da educação cristã tem se desenvolvido em duas vertentes: Transmissão de conhecimento e Currículo Transversal.

            Na transmissão de conhecimentos, a atuação docente apoia-se em conteúdos e técnicas de aquisição de conteúdos. (Um bom exemplo é o do professor que apenas realiza a leitura da revista com os alunos, responde os exercícios propostos e encerra a aula.)

            Na vertente do Currículo Transversal o professor recorre ou apoia-se em valores universais, princípios éticos, estratégias e recursos variados. (Um exemplo disso é o professor que problematiza o conteúdo da revista com o cotidiano dos alunos, confronta conhecimentos científicos com as verdades bíblicas e procura dinamizar o ensino com uso de mídias, livros,cartazes e etc.)

            Buscamos aqui o entendimento do perfil do docente que atua na escola dominical, não como forma de rotular a atuação emitindo conceitos de certo ou errado, mas de maneira que possamos aperfeiçoar e desenvolver um perfil adequado às demandas da Escola Bíblica Dominical para a promoção da aprendizagem daqueles que necessitam do ensino deste professor.

            Traços importantes no perfil do docente de escola bíblica

 

                                            Conhecimento Teórico: Sem fórmulas mágicas, truques ou rodeios. O professor deverá apresentar o conteúdo de forma clara e didática.

                                            Capacidade de Ouvir. Neste novo relacionamento professor-aluno já não há mais espaço para o arcaico estilo “chefe X subordinado”. O professor deverá se habituar a ouvir o que o aluno tem a dizer, pois não raras vezes este sempre tem algo a contribuir e feliz o professor que souber canalizar o conhecimento pré-existente em seu aluno a favor de sua aula.

                                            Capacidade de Expressão: Saber organizar os pensamentos e expressá-lo com clareza. O aluno sempre saberá detectar quando o professor domina o assunto ou se este está “perdido”.

                                           Cultura: Geral. O professor precisa ser uma pessoa atualizada, pois ter ciência dos acontecimentos cotidiano muito ajuda no enriquecimento de suas aulas e os alunos estão muito mais predispostos a ouvir um professor que demonstra conhecimento.

                                           Qualificações: Acadêmica e Pedagógica. Quando isto não for possível, este deve fazer a devida compensação com muita leitura especializada, tanto teórica quanto didática, buscando dominar o assunto a fim de evitar vexames. (SILVA,2017)

 

 

            Ainda com relação ao perfil docente Perrenoud (2000), um teórico da educação secular, destaca dez competências importantes para o desenvolvimento do ensino, são elas:

1.    Organizar e estimular situações de aprendizagem – refere-se ao trabalho desenvolvido à partir do conhecimento do assunto que se vai ensinar, conhecimento sobre a turma, e a estimulação e criação de situações onde os alunos possam se envolver com o conhecimento, participar da aprendizagem, vivenciando o que é ensinado.

2.    Gerar a progressão das aprendizagens – esta competência relaciona-se ao desenvolvimento dos alunos, aos laços com conhecimentos já repassados em aulas anteriores. Observar se os alunos estão realmente guardando estes conhecimentos, conseguindo fazer relação entre o que aprendem e o que vivem e crescendo de alguma forma.

3.    Conceber e fazer com que os dispositivos de diferenciação evoluam-  saber trabalhar com os diferentes tipos de alunos presentes na turma, considerando as peculiaridades de cada um com relação a aprendizagem, bem como procurando suprir suas necessidades individuais, desenvolvendo um trabalho para todos.

4.    Envolver os alunos em suas aprendizagens e no trabalho – estimular na criança o desejo de aprender, desenvolver a capacidade de autoavaliação dos alunos em relação ao que aprendem à maneira como se desenvolvem em sala de aula e permitir que eles participem de todo o processo de atividade em sala de aula.

5.    Trabalhar em equipe – saber conviver, administrar conflitos interpessoais, realizar trabalho envolvendo outros professores e demais pessoas de quem possa necessitar para desenvolver um bom trabalho.

6.    Participar da gestão da escola – contribuir para o bom desenvolvimento da escola, organizando situações, mantendo uma boa comunicação, administrando bem os recursos da escola. Buscando cooperar na elaboração dos projetos e objetivos da escola.

7.    Informar e envolver os pais – envolver os pais no processo de ensino, comunicar –se com eles, pedir ou transmitir informações sobre os alunos, estimulá-los a participar do processo e fazer com que as crianças participem.

8.    Utilizar as novas tecnologias – explorar potencialidades didáticas, usar recursos multimídias para favorecer a aprendizagem.

9.    Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão – participar da criação de regras comuns para o bom convívio escolar, analisar a relação pedagógica, a autoridade e a comunicação em sala de aula. Desenvolver o senso de responsabilidade, solidariedade e de justiça.

10. Gerar sua própria formação contínua – saber falar sobre suas próprias práticas e ser responsável pela busca de conhecimentos constantemente.

 

 

Estas competências podem e devem ser desenvolvidas dentro da prática docente na escola bíblica dominical; destacamos aqui a competência de número dez, pois como dissemos anteriormente, muitos professores não possuem formação adequada para atuar na sala de escola dominical, no entanto, ele pode desenvolver esta competência, realizando leituras de diversos livros na área, participando dos cursos, conferencias e seminários de capacitação para professores de escola bíblica, estudando de forma sistemática os conteúdos que deverá ensinar e ainda apoiando-se nos companheiros que possuem uma formação maior que a sua.

      Em síntese podemos afirmar que o ponto chave do perfil do educador cristão é a disponibilidade para aprender. Pois através da aprendizagem continua qualquer um pode desenvolver as competências acima mencionadas, principalmente aqueles que têm um compromisso espiritual, moral e ético com o ensino cristão.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Qual a importância de contar histórias para as crianças?

 


A IMPORTÂNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Rochelli Soares Pontes Milanez¹

 

RESUMO

 

 

A preocupação básica deste estudo é refletir sobre a importância da contação de histórias como ferramenta que influencia na formação de leitores. Este artigo tem como objetivo evidenciar através de pesquisa bibliográfica resultados exitosos no trabalho de contação de história na educação infantil, mostrando o papel da literatura infantil na formação de leitores. A pesquisa bibliográfica foi realizada considerando as contribuições dos seguintes autores FONSECA (2012), OLIVEIRA (2012), FARIA (2012), CAGLIARI (1997), FERREIRO (2001), BRASIL (1998) e OLIVEIRA (1997) procurando enfatizar a importância da Contação de Histórias para o processo de formação do leitor. Concluiu-se a importância desta estratégia na educação infantil com vistas à formação de leitores, de modo a garantir que o processo educativo aconteça com qualidade no que se refere ao ensino da língua materna e a aquisição de habilidades leitoras.

 

 

PALAVRAS-CHAVE: Leitura. Educação. Infantil. Contação.

 

INTRODUÇÃO

 

O presente trabalho tem como tema a contação de histórias e sua influência para a formação de leitores na educação infantil.

Nesta perspectiva, construíram-se questões que nortearam nossas pesquisas:

·         A contação de histórias é uma estratégia adequada para favorecer a formação de leitores na Educação Infantil?

·         De que maneira a contação de histórias influência na formação do leitor?

·         Quais habilidades ou competências leitoras podem ser desenvolvidas através da contação de histórias?

Quando falamos em processo de formação de leitores, estamos extrapolando o significado da palavra “ler” no sentido de decifrar códigos e entender o sistema de escrita, na verdade a compreensão que se tem de leitura neste trabalho, é bem mais ampla,e assim sendo, a compreensão do que seja o indivíduo leitor também extrapola qualquer conceito que se relacione meramente a codificação e escrita.

Diz-se que sujeito letrado é aquele que faz uso competente da leitura e da escrita, e a habilidade satisfatória só se consegue com o habito e com o reconhecimento e uso de uma grande variedade de gêneros. (Fonseca, 2012)

Daí a importância de se refletir sobre a importância da contação de histórias para a formação de leitores desde a Educação Infantil.

            Conforme Fonseca

 

 

Aquele que se propõe a ler e apresentar a leitura pode não ser um especialista no assunto, mas se tiver conhecimento a respeito – por meio das muitas experiencias e vivencias leitoras – tiver curiosidade e estudar para ampliar seus saberes, poderá encantar outros e levá-los a conhecer melhor esse universo. O mundo da leitura pode deixar de ser apenas ler o que está  escrito para se ler para conhecer, recordar, entrar em contato com a sabedoria de outras culturas, de outras épocas, apreciar diferentes gêneros e autores, compreender o mundo que o cerca, compreender a si mesmo, imaginar, sonhar, escolher, pesquisar, estudar, formar opiniões. Ler está muito além de decifrar códigos e entender o sistema de escrita. (FONSECA, 2012,p. 34)

 

 

Assim, o objetivo primordial deste estudo é refletir sobre a importância da contação de história para a formação de leitores na Educação Infantil, abordando de que maneira a contação de histórias influencia na formação do leitor e discorrendo sobre as principais habilidades ou competências que podem ser desenvolvidas a partir desta atividade.

Para alcançar os objetivos propostos, utilizamos como recurso metodológico, a pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise pormenorizada de livros publicados sobre o assunto.

O estudo foi fundamentado nas ideias e concepções de autores como: FONSECA (2012), OLIVEIRA (2012), FARIA (2012), CAGLIARI (1997), FERREIRO (2001), BRASIL (1998) e OLIVEIRA (1997).

 

1.    A FORMAÇÃO DE LEITORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Dentro de uma proposta de formação de leitores há inúmeras estratégias e metodologias que podem ser listadas como sendo eficientes, no entanto em se tratando especificamente da Educação Infantil, nem todas as estratégias são válidas, considerando-se as peculiaridades da clientela que faz parte desta modalidade da educação, uma das peculiaridades diz respeito à faixa etária – de 0 a 5 anos.

            Neste contexto, o trabalho do professor de educação infantil é de fundamental importância, além das interações que faz com as crianças dentro da proposta de desenvolvimento de suas atividades cotidianas como também a partir de sua vivencia com o conhecimento que pretende repassar, a saber – a competência leitora.

Fonseca (2012,p.28), nos afirma que

 

 

                                                  [...]o professor deve aproveitar as situações do dia a dia na escola e criar outras tantas, como usuário da escrita diante das crianças, para que percebam o valor comunicativo e se sintam motivadas a ler e escrever.

                                      O professor tem o papel importantíssimo na aquisição da competência leitora da criança, não só porque promove atividades para tanto, mas porque serve como modelo de leitor. E o que isso quer dizer?

                                      Trabalhar com a leitura significa trabalhar com conteúdos voltados às capacidades e procedimentos de leitura e ao comportamento leitor. Segundo Délia Lerner, professora universitária e pesquisadora argentina, os comportamentos leitores são atitudes relacionadas ao ato de ler, [...]

 

               

De forma simples e concisa pode-se dizer que a contação de histórias é uma das principais formas que o professor de Educação Infantil pode utilizar para influenciar seus alunos na aquisição deste comportamento leitor.

 

Quando o professor lê um conto para seus alunos, eles não aprendem apenas conteúdos das histórias e suas características, mas também como as pessoas utilizam a leitura, os comportamentos de um leitor e a compartilhar práticas sociais de leitura. Muitas vezes os professores pensam que as crianças só aprendem a ler se realizarem atividades que envolvam as letras. Com certeza, há momentos em que devemos propor atividades de leitura que permitam às crianças refletir sobre o sistema de escrita, mas só isso não é o suficiente! Temos de promover a entrada dos diversos textos na escola para que as crianças aprendam as competências necessárias para a leitura na vida cotidiana.(IDEM, 2012,p.29)

 

 

Entre as principais dificuldades de desenvolver o trabalho de contação de histórias na educação infantil reside no fato de que muitos professores não compreendem a importância desta atividade para o desenvolvimento das crianças, nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil encontramos recomendações sobre a promoção de experiências que possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos, mas será que isso é realmente possível com crianças tão pequenas? (Oliveira,2012)

 

Na contação de histórias, diversos elementos expressivos se articulam para representar uma narrativa criada ou não por um autor desconhecido, transmitida e recriada pela tradição oral. A voz humana, portadora da história da humanidade, associa-se aos gestos, às expressões faciais, ao contato olho no olho para comunicar ao bebê o mundo da fantasia. [...] Ainda que inicialmente a compreensão do texto oral se dê de maneira global, pela apreensão de todo o contexto comunicativo, no qual a forma sobressai ao conteúdo progressivamente a criança adentra no mundo da linguagem verbal e passa a estabelecer relação direta com as palavras. Além de ampliação das possibilidades da oralidade, o gosto pelas histórias é um grande ganho nessa fase. (OLIVEIRA, 2012,p.150)

 

 

A contação de histórias influência a formação do leitor, na medida em que o aluno (ouvinte) consegue ampliar seu repertório linguístico, consegue desenvolver a sua oralidade, aperfeiçoar o seu comportamento leitor, dentre várias outras estratégias de compreensão de textos, a partir do modelo oferecido pelo professor.

 

                                      Quanto a aprendizagem da leitura, que se inicia tendo o adulto ou o (a) professor (a) como leitor (a), esse aprendizes vão gradualmente entendendo que ler não é apenas decodificar, mas produzir sentidos, isto é, interpretar e compreender o texto, buscando respostas para questões que o leitor se coloca diante daquele material escrito. Envolve, assim, uma relação texto – leitor, na qual são mobilizadas várias estratégias para alcançar a compreensão, quais sejam: a seleção,a  antecipação, a inferência e a verificação. (FARIA,2012,p.136)

 

 

As crianças podem imitar uma variedade de gestos e ações que vão muito além dos limites de suas próprias capacidades. Seguindo o professor como modelo, elas ampliam suas próprias possibilidades dentro do contexto de uso da língua, despertando assim de forma constante seu interesse e curiosidade pelo mundo da leitura. Por meio da imitação irão apropriar-se dos comportamentos leitores e significar a prática da leitura, que é condição necessária para a aprendizagem. (Oliveira, 2012)

Desde pequenas as crianças precisam ser incentivadas à leitura e colocadas em contato com ela. Um canto de leitura na sala de aula pode ser garantido, mesmo que o espaço não seja muito grande. (Fonseca, 2012)

 

Ouvir histórias contadas pode ser uma experiência bastante prazerosa mesmo para os bebês com menos de um ano. Isso permite uma aproximação da criança com a estrutura oral da língua e o conhecimento de narrativas de tradição oral. O texto oral é efêmero. Ainda que se trate de uma história conhecida, há uma grande variação textual a cada vez que é proferido. Quem conta uma história pode improvisar ou mesmo criar uma história na hora em que a conta. (OLIVEIRA,2012,p.152)

 

 

            É importante observar que o acesso ao texto pela criança dá-se a partir do momento em que ela ouve o professor contanto a história, sendo que este texto permanece em sua memória por aquilo que é possível reter do momento de escuta que vivenciou. Contar uma história por meio de um texto escrito memorizado, entretanto, preserva as características do texto escrito, ou seja, alguns elementos do domínio da língua escrita. (Oliveira,2012,p.152,153)

            A respeito de quais habilidades ou competências leitoras são desenvolvidas através da contação de histórias Fonseca (2012) faz uma diferenciação que precisamos estar bastante atentos, ler é diferente de contar histórias. A leitura deve ser uma atividade permanente em sala de aula, mas contar histórias também.

            Há algumas diferenças entre o que as crianças aprendem quando ouvem o professor lendo, e o que aprendem quando o ouvem contando histórias.

Ao ouvir o professor lendo as crianças aprendem:

·         Valorizar a escrita, identificando que os símbolos (letras, palavras, signos linguísticos) possuem uma utilidade;

·         Para que serve a escrita e sua relação com as ilustrações;

·         Aprendem que existem diferentes tipos de leitura;

·         Manusear os livros folheando as páginas corretamente;

·         Modelo de como se lê;

·         Relaciona a leitura com sua vida;

·         Compreende que as imagens ajudam a contar a história;

·         Amplia seu repertório de palavras e expressões.

·         Etc.

 

Ao ouvir o professor contando histórias as crianças aprendem:

·         Especificidades da linguagem oral;

·         Compreendam a postura do narrador de histórias;

·         Aguçam a curiosidade;

·         Comunicação através de expressões faciais e corporais;

·         Informações não verbais de expressividade;

·         Exercitar a memória.

·         Etc.

 

Fonseca destaca:

 

E o que ler em voz alta e contar pode ter em comum?

o    A expressividade de quem lê ou conta – mudanças de ritmos, de tons e até mesmo de voz;

o    A presença de histórias, seus cenários e personagens encantadores e suas tramas maravilhosas;

o    Alguém conta ou lê e os outros ouvem – ler para o outro deixa de ser uma ação individual e passa a ser coletiva;

o    Ambos podem incentivar a leitura – apresentando escritores e títulos.

o    Promovem reflexão e permitem interpretações próprias.

Portanto ler e contar histórias são situações diferentes que permitem a entrada das histórias no universo das crianças e lhes possibilitam muitas aprendizagens. (FONSECA, 2012,p.149-150)

 

 

2.    O DIÁLOGO ENTRE AS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

            De acordo com Oliveira (1997), na concepção de Vygostsky, o processo de aquisição da língua escrita na criança, inicia-se bem antes desta entrar na escola e se estende por muitos anos.

A autora destaca que a criança tem contato com a escrita, em vários momentos da vida, na verdade, ela afirma que em todos os momentos de sua vida a criança tem contato com a escrita. A escrita faz parte e está presente em vários ambientes frequentados por ela, em meios de comunicação de seu cotidiano, como por exemplo: em jornais, nomes de ruas, outdoors, placas, listas e etc.

            Cagliari (1997) afirma que a escrita tem como objetivo primordial permitir a leitura, a leitura por sua vez é interpretação da escrita e a mesma é uma forma de tradução dos símbolos escritos em fala.

            Para o autor a escrita e a leitura são processos que andam juntos, ou seja, são processos interdependentes e que se complementam, chegando no processo de comunicação a ser indissociáveis. A escrita é uma forma de representação da linguagem falada, mas na verdade, não é totalmente fiel a ela, pois enquanto que a língua falada permite inúmeras possibilidades usuais na comunicação, a escrita representa um número apenas aproximado de usos na comunicação, e no universo de representações.

            Para Ferreiro (2001) algumas posturas são de suma importância para atingir bons resultados através das práticas pedagógicas de leitura, conforme vemos a seguir:

 

                                      É necessário mudar a própria concepção do objeto, para que se entenda porque a alfabetização implica em um trabalho conceitual, que em certo sentido é similar ao caso da matemática. A criança pode recitar o abecedário, tanto como recitar a série dos números. Contudo, isso não basta para chegar à noção de número, nem basta para entender o que está escrito e qual sua relação com a língua oral. A modificação do objeto conceitual é imprescindível. (FERREIRO,2001,p.22)

 

               

            Entre os processos de aprendizagem mais complexos na escola, destaca-se o processo de aprendizagem da leitura e da escrita, pois são duas atividades que envolvem várias habilidades, sendo imprescindíveis para que as crianças possam adquirir vários outros conhecimentos e estejam inseridas na cultura de sua sociedade.

            É fundamental que as práticas de ensino na Educação Infantil considerem estes processos e estejam adequadas ao universo infantil de modo a favorecer a  formação de leitores. Nesse sentido, a contação de histórias, aparece como uma estratégia que estimula a imaginação da criança, permitindo que ela transcenda os conceitos prévios que ela tráz sobre a escrita e a leitura e sinta-se desafiada a decodificar os símbolos que encontra nos livros para se apropriar das histórias que deseja conhecer.

            Cagliari (1997) destaca que nem sempre nos damos conta da realidade que cerca o indivíduo que não sabe ler e escrever, a  representação de mundo desse indivíduo é objetivamente diferente da representação de um indivíduo que já adquiriu esses mecanismos de leitura e escrita e por meio deles está inserido em uma determinada cultura fazendo uso deles para produzir conhecimento.

            A possibilidade de participação social por meio da qual nos tornamos seres

participantes e atuantes no mundo, advém da própria condição de aquisição da língua oral e escrita, pois estes são elementos essenciais e inerentes à condição humana , por meio desses elementos podemos interagir com os outros e estabelecer  as mais variadas formas de comunicação.

            Ressaltamos assim, a influência da contação de histórias para a formação de leitores, ressaltando que ato de ler e escrever não é natural, mas um processo que decorre das interações sociais estabelecidas, permitindo a assimilação de conhecimentos produzidos historicamente, possibilitando a  produção de novos conhecimentos.

 

3.    A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS E O IMAGINÁRIO INFANTIL

 

            Contar histórias é, antes de qualquer coisa, uma maneira de divertir as crianças através do texto narrado, fazendo-a perceber-se num mundo de fantasia e imaginação, o faz - de – conta é também um estímulo as funções cognitivas, mas é também um momento lúdico no qual a criança pode incorporar personagens, dar vida a objetos inanimados entre outras coisas.

           Na educação infantil é imprescindível a utilização de uma multiplicidade de textos, experiências, táticas e estratégias que permitam à criança a aquisição da leitura/escrita, ampliando, assim seu universo linguístico, cultural e social.

            O desenvolvimento cognitivo, social e afetivo das crianças entre 4 e 5 anos está ligado à sua capacidade imaginativa. A criança desta idade concentra-se por 15 a 20 minutos; motivo pelo qual o contador de histórias deverá inserir neste tempo determinado o objetivo de sua narração.

            É nessa faixa etária que a criança é capaz de contar e recontar histórias com sequência lógica, inventar brincadeiras, brincar de faz de conta, e memorizar pequenas histórias. A criança também pode se adaptar facilmente e dar soluções para problemáticas propostas pela narração, visto que, ela pensa antes de agir. Transforma o mundo através da fantasia, embora possua pensamento egocêntrico, difere o eu e o mundo. A criança conta histórias inventadas por ela mesma, tem facilidade para dramatizar contos e histórias, além de fazer distinção entre a realidade e a fantasia (BRASIL,1989).

 

CONCLUSÃO

 

            Diante do exposto constatamos que a contação de histórias é uma estratégia adequada para favorecer a formação de leitores na Educação Infantil, tendo em vista que todos os autores com os quais dialogamos ressaltam que a mesma influencia a formação de leitores fazendo com que a criança amplie seu repertório linguístico, desenvolva sua oralidade, aperfeiçoe seu comportamento leitor e desenvolva habilidades observando o modelo oferecido pelos seus professores.

            A contação de histórias permite que a criança desenvolva habilidades como identificar os símbolos que compõem o código alfabético, aprender a manusear livros de forma adequada, compreender imagens e etc.

            Foi-nos possível concluir também que a contação de histórias favorece a formação de leitores na Educação Infantil por ser uma prática interativa, na qual o professor além de oferecer à criança um modelo de leitor, estimula sua criatividade, imaginação e participação por meio do faz de conta. Permitindo que a criança possa viver por meio do seu imaginário situações que se assemelham com a realidade e que podem até mesmo ser relacionadas com as situações cotidianas das crianças.

            É de suma importância a estratégia de contação de história para a formação de leitores na Educação Infantil, pois a mesma pode garantir que o processo educativo aconteça com qualidade no que se refere ao ensino da língua materna e a aquisição de habilidades leitoras.

 

REFERÊNCIAS

 

 

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a educação infantil/ Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental – Brasília: MEC/SEF,1998. 2V.:il.

 

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 1997.

 

FARIA, Vitória Líbia Barreto de. Currículo da Educação Infantil: diálogo com os demais elementos da Proposta Pedagógica. São Paulo: Ática, 2012.

 

FERREIRO, Emília, TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. São Paulo. 2001.

 

FONSECA, Edi. Interações: com olhos de ler, apontamentos sobre a leitura e a prática do professor de Educação Infantil. São Paulo:Blucher,2012.(Coletânea Interações)

 

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Aprendizado e desenvolvimento um processo sócio- histórico. São Paulo : Scipione, 1997.

 

OLIVEIRA, Zilma Ramos de. (Org.) O trabalho do Professor de Educação Infantil. São Paulo: Biruta, 2012.

 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Como foi sua prática pedagógica durante a pandemia?


Como foi  sua prática pedagógica durante a pandemia? 

Você já utilizava recursos tecnológicos na mediação da aprendizagem, antes deste período? 

Quais foram seus principais desafios no uso dos recursos tecnológicos durante o período pandêmico? 

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