No mundo contemporâneo, há grandes desafios
para a ação docente secular, e em nossas igrejas não é diferente, atuar como superintendentes
e professores de educação cristã requer entre outras coisas uma postura
abnegada do professor. Pois este é convidado a ser antes de mais da nada, um
exemplo de prática do evangelho, ou seja, o professor cristão incorpora em seu
perfil a necessidade de ser referencia de vida cristã (modelo a ser seguido),
enfatizamos aqui as palavras de Paulo a Tito
Em
tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade,
sinceridade,8 linguagem sã e irrepreensível, para que o
adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. ( Tito ,2.7,8)
A docência é uma atividade com
grande carga ética, entre seus objetivos está a formação intelectual, moral,
social e espiritual de seus alunos, em se tratando de educação cristã,
ressalta-se aqui a obrigatoriedade de o professor ser referencia ou modelo para
sua turma, conforme destacado acima.
É
necessário que o professor (a) esteja aberto ao pensamento inovador, sempre que
isso redundar em benefícios para uma melhor aprendizagem para seus alunos. Não
podendo conformar-se só com a transmissão mecânica dos conteúdos, mas
contribuindo para a preparação deste aluno para a integração social, sendo este
um disseminador do conhecimento de Cristo, seja através de seus conhecimentos
teóricos, seja através de sua prática de vida permeada pelos valores morais
cristãos.
O
perfil do docente da educação cristã tem se desenvolvido em duas vertentes:
Transmissão de conhecimento e Currículo Transversal.
Na
transmissão de conhecimentos, a atuação docente apoia-se em conteúdos e
técnicas de aquisição de conteúdos. (Um bom exemplo é o do professor que apenas
realiza a leitura da revista com os alunos, responde os exercícios propostos e
encerra a aula.)
Na
vertente do Currículo Transversal o professor recorre ou apoia-se em valores
universais, princípios éticos, estratégias e recursos variados. (Um exemplo
disso é o professor que problematiza o conteúdo da revista com o cotidiano dos
alunos, confronta conhecimentos científicos com as verdades bíblicas e procura
dinamizar o ensino com uso de mídias, livros,cartazes e etc.)
Buscamos
aqui o entendimento do perfil do docente que atua na escola dominical, não como
forma de rotular a atuação emitindo conceitos de certo ou errado, mas de
maneira que possamos aperfeiçoar e desenvolver um perfil adequado às demandas
da Escola Bíblica Dominical para a promoção da aprendizagem daqueles que
necessitam do ensino deste professor.
Traços
importantes no perfil do docente de escola bíblica
Conhecimento Teórico: Sem
fórmulas mágicas, truques ou rodeios. O professor deverá apresentar o conteúdo
de forma clara e didática.
Capacidade
de Ouvir. Neste novo relacionamento professor-aluno já não há mais
espaço para o arcaico estilo “chefe X subordinado”. O professor deverá se
habituar a ouvir o que o aluno tem a dizer, pois não raras vezes este sempre
tem algo a contribuir e feliz o professor que souber canalizar o conhecimento
pré-existente em seu aluno a favor de sua aula.
Capacidade de Expressão: Saber
organizar os pensamentos e expressá-lo com clareza. O aluno sempre saberá
detectar quando o professor domina o assunto ou se este está “perdido”.
Cultura: Geral. O professor precisa ser uma pessoa
atualizada, pois ter ciência dos acontecimentos cotidiano muito ajuda no
enriquecimento de suas aulas e os alunos estão muito mais predispostos a ouvir
um professor que demonstra conhecimento.
Qualificações: Acadêmica e Pedagógica. Quando isto não for
possível, este deve fazer a devida compensação com muita leitura especializada,
tanto teórica quanto didática, buscando dominar o assunto a fim de evitar
vexames. (SILVA,2017)
Ainda
com relação ao perfil docente Perrenoud (2000), um teórico da educação secular,
destaca dez competências importantes para o desenvolvimento do ensino, são
elas:
1. Organizar e estimular situações de
aprendizagem – refere-se ao trabalho desenvolvido à
partir do conhecimento do assunto que se vai ensinar, conhecimento sobre a
turma, e a estimulação e criação de situações onde os alunos possam se envolver
com o conhecimento, participar da aprendizagem, vivenciando o que é ensinado.
2. Gerar a progressão das aprendizagens – esta competência relaciona-se ao desenvolvimento dos alunos, aos laços
com conhecimentos já repassados em aulas anteriores. Observar se os alunos
estão realmente guardando estes conhecimentos, conseguindo fazer relação entre
o que aprendem e o que vivem e crescendo de alguma forma.
3.
Conceber e fazer com que os dispositivos de diferenciação evoluam- saber trabalhar com os diferentes
tipos de alunos presentes na turma, considerando as peculiaridades de cada um
com relação a aprendizagem, bem como procurando suprir suas necessidades
individuais, desenvolvendo um trabalho para todos.
4.
Envolver os alunos em suas aprendizagens e no trabalho – estimular na criança o desejo de aprender, desenvolver a capacidade de
autoavaliação dos alunos em relação ao que aprendem à maneira como se
desenvolvem em sala de aula e permitir que eles participem de todo o processo
de atividade em sala de aula.
5.
Trabalhar em equipe – saber conviver, administrar conflitos
interpessoais, realizar trabalho envolvendo outros professores e demais pessoas
de quem possa necessitar para desenvolver um bom trabalho.
6.
Participar da gestão da escola – contribuir para o bom desenvolvimento
da escola, organizando situações, mantendo uma boa comunicação, administrando
bem os recursos da escola. Buscando cooperar na elaboração dos projetos e
objetivos da escola.
7.
Informar e envolver os pais – envolver os pais no processo de ensino,
comunicar –se com eles, pedir ou transmitir informações sobre os alunos,
estimulá-los a participar do processo e fazer com que as crianças participem.
8.
Utilizar as novas tecnologias – explorar potencialidades didáticas, usar
recursos multimídias para favorecer a aprendizagem.
9.
Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão – participar da criação de regras comuns para o bom convívio escolar,
analisar a relação pedagógica, a autoridade e a comunicação em sala de aula.
Desenvolver o senso de responsabilidade, solidariedade e de justiça.
10. Gerar sua própria formação contínua – saber falar sobre suas próprias práticas e ser responsável pela busca de
conhecimentos constantemente.
Estas competências podem e devem ser desenvolvidas
dentro da prática docente na escola bíblica dominical; destacamos aqui a
competência de número dez, pois como dissemos anteriormente, muitos professores
não possuem formação adequada para atuar na sala de escola dominical, no
entanto, ele pode desenvolver esta competência, realizando leituras de diversos
livros na área, participando dos cursos, conferencias e seminários de
capacitação para professores de escola bíblica, estudando de forma sistemática
os conteúdos que deverá ensinar e ainda apoiando-se nos companheiros que
possuem uma formação maior que a sua.
Em
síntese podemos afirmar que o ponto chave do perfil do educador cristão é a
disponibilidade para aprender. Pois através da aprendizagem continua qualquer
um pode desenvolver as competências acima mencionadas, principalmente aqueles
que têm um compromisso espiritual, moral e ético com o ensino cristão.
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