quarta-feira, 27 de maio de 2015

ESTUDO DE CASO SOBRE DEFICIENCIAS MULTIPLAS - Prof. Esp. Rochelli S.Pontes



RESUMO

A temática desse trabalho está centrada no estudo de caso de um aluno da Educação Especial com Deficiências Múltiplas, esse aluno pertence à rede municipal de ensino, cursa o 3º ano do ensino fundamental, é do sexo masculino e tem doze anos.  O problema estudado se refere à área cognitiva e à linguagem/comunicação. Entre os objetivos desse trabalho destacamos: Analisar as necessidades do aluno e elaborar um plano de AEE para atender essas necessidades, de modo que possa ultrapassar as barreiras impostas pela escola comum e participar de sua turma com autonomia. A metodologia utilizada nesse trabalho foi o estudo de caso, com levantamento de questões, identificação do problema, análise e clarificação do problema e busca de solução do problema, onde nos serviram de instrumentos: entrevistas e observações participantes. O plano de AEE foi elaborado a partir da avaliação do aluno e da análise do caso. Para cada objetivo traçado no plano foram selecionadas atividades específicas para desenvolvê-los, sempre contemplando as possibilidades apresentadas pelo aluno. Esse plano tem como principais tópicos: objetivos, organização do atendimento, atividades, adequação de materiais, seleção de matérias que serão adquiridos, parcerias a serem estabelecidas, profissionais envolvidos, avaliação e reestruturação do plano.

Palavras-chave: Atendimento Educacional Especializado. Educação Especial; Escola comum.













ABSTRACT

The theme of this study is based on case study of a special education student with multiple disabilities, these students belong to the municipal school, attends the third grade of elementary school, is male and has twelve years. The problem refers to the area studied cognitive and language / communication. Among the objectives of this study include: Analyze the student’s needs and develop a plan for AEE to meet these needs, so that it can overcome the barriers imposed by the common school and attend class with their autonomy. The methodology used in this work was the case study, where we served as instruments: interviews and observations participates. Na clarification of the problem has been observed that cognitive development and language are the main barriers faced by the student to solve these problems was a plan it provides several possibilities for communication, use of some communications media that can promote cognitive development as well. The plan was developed from AEE student's assessment and analysis of the case, for each objective defined in the plan specific activities were selected to develop them, always contemplating the possibilities presented by the student. This plan has as its main topics: goals, organization of care, activities, suitability of materials, selection of materials to be acquired, partnerships to be established, professionals, evaluation and restructuring plan. 

Keywords: special classes. Special Education. Joint School.

















SUMÁRIO

 INTRODUÇÃO …......................................................................................................09
1. PROPOSIÇÃO DE UM CASO……………..……………………………………….….11
2. ANÁLISE E CLARIFICAÇÃO DO PROBLEMA....................................................13
3.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..............................................................................16
4.METODOLOGIA.....................................................................................................24
5. PLANO DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO........................25
5.1. Dados da Identificação ....................................................................................25
5.2. Plano de AEE.....................................................................................................25
5.3. Organização do Atendimento ..........................................................................26
5.4. Atividades a serem desenvolvidas no atendimento ao aluno......................27
5.5. Seleção de materiais a serem produzidos para o aluno...............................30
5.6. Adequação dos Materiais ................................................................................30
5.7. Seleção de Materiais e Equipamentos que necessitam ser adquiridos.......30
5.8. Tipos de Parcerias necessárias para aprimoramento do atendimento e da produção de materiais.............................................................................................31
5.9. Profissionais da escola que receberão orientação do professor de AEE sobre serviços e recursos oferecidos ao aluno....................................................31
5.10. Avaliação dos resultados...............................................................................32
5.11.  Resultados obtidos diante dos objetivos do Plano de AEE.......................32
5.12. Reestruturação do Plano................................................................................33
CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................34
REFERÊNCIAS..........................................................................................................35







INTRODUÇÃO
           
              A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva define como público-alvo da Educação Especial os alunos com surdez, deficiência intelectual, deficiência física, cegueira, surdocegueira, transtornos globais no desenvolvimento e superdotação/altas habilidades. Tem como objetivo, assegurar a inclusão escolar desses alunos, garantindo o acesso ao ensino regular, oferecendo AEE (Atendimento Educacional Especializado), formando professores, provendo a acessibilidade, estimulando a participação da família e comunidade e promovendo a implementação das políticas públicas educacionais.
              No município de Teresina, esta política tem se materializado através das ações da Secretaria Municipal de Educação, no sentido de promover o acesso ao ensino regular, e da implantação das salas de Recursos Multifuncionais destinadas ao Atendimento Educacional Especializado em várias escolas do município. Com relação à acessibilidade a secretaria tem feito às adequações arquitetônicas necessárias nas escolas, construindo dentre outras medidas de acessibilidade as rampas. A formação de professores tem sido feita através de convênios com o Ministério da Educação e Universidades.
De acordo com essa política a Educação Especial perpassará todos os níveis e modalidades da Educação, nas escolas ela deverá atuar por meio da identificação de necessidades e elaboração de um plano de atendimento específico ao aluno, produção e aquisição de materiais.
              Discorre ainda sobre os conteúdos, a formação e a atuação do professor de Atendimento Educacional Especializado. Cita os profissionais que irão atuar na Educação Especial: professor de AEE, professor de LIBRAS, professor em LIBRAS, professor de Português como segunda língua de alunos com surdez, revisor de BRAILE e professor especializado do Centro de Apoio Pedagógico para atendimento à Deficiência Visual – CAP.
            Avaliamos de forma qualitativa a atuação do Município, embora ainda encontre dificuldades na efetivação de todas as ações propostas pela Política de Educação Especial de 2008, têm desenvolvido-as dentro das possibilidades encontradas, possibilitando o acesso dos alunos com deficiência às salas regulares, bem como às salas de AEE.
            Com pouco mais de dois anos de experiência em educação especial, estamos sempre buscando mais conhecimentos para aperfeiçoar nossa prática e desenvolver integralmente o aluno promovendo a superação das dificuldades, bem como a ampliação das possibilidades por ele apresentadas. O presente trabalho buscou estudar o caso de um aluno da educação especial, visando a elaboração de um plano de atendimento a ser desenvolvido na sala de recursos multifuncional, onde o atendimento educacional especializado será realizado semanalmente com objetivos e atividades sistematizados no plano a partir da analise e estudo do caso do aluno que apresenta deficiências múltiplas.
            O trabalho encontra-se subdividido da seguinte forma: Proposição do Caso,  Análise e Clarificação do Problema,  Fundamentação Teórica, Metodologia, Plano de Atendimento e Considerações Finais.




















1.     PROPOSIÇÃO DE UM CASO


João Paulo (nome real da criança, cuja exposição do nome foi autorizada pela família) tem 12 anos, é uma criança bastante ativa e alegre, tem quatro irmãos, o pai morreu há dois anos, e sua mãe dedica-se exclusivamente a ele.
A criança teve paralisia cerebral a qual afetou tanto seu corpo, quanto a parte cognitiva, provocando um leve retardo.
Frequenta a Escola Municipal O. G. Rego de Carvalho, onde cursa o 3°ano do Ensino Fundamental no turno manhã, e freqüenta o AEE na própria escola. Socializa-se bem à medida do possível, na hora do recreio a mãe vem para auxiliá-lo na merenda e deixa-o brincar livremente com os colegas.
A professora da sala regular relatou que ele consegue ter autonomia no uso do material e na organização do mesmo, consegue ir ao banheiro sozinho e também ir ao bebedouro. Durante a realização das tarefas sempre manifesta interesse e todas as garatujas que faz solicita com a professora, no que essa avalia com o visto, sempre pede para a professora olhar seu livro, para ver se colocou na página certa, sinaliza que quer ir ao quadro fazer atividade, ao que a professora prontamente atende.
Participa das brincadeiras e demais atividades escolares. Porém não escreve nenhuma letra, sua coordenação motora ainda apresenta muitos problemas, no entanto não precisa de materiais adaptados, não consegue recortar papéis, pois embora consiga pegar normalmente na tesoura, seu tônus muscular não permite que ele realize movimentos com maior esforço como o exigido em atividades de recorte, não identifica letras e números, não compreende todos os comandos da professora e quando não consegue se comunicar grita e demonstra grande inquietação em sala de aula. Geralmente utiliza gestos para comunicar-se, mas nem sempre esses gestos são compreendidos pelos demais.
A professora do AEE relatou que ele resiste na utilização das pranchas de comunicação, sempre virando o rosto, ou gritando e empurrando as cadeiras. Quando são realizadas atividades para estimular sua motricidade demonstra pouco interesse e coloca um livro sobre a mesa, fica apontando para as coleções e lápis. Depois que começou a ser atendido em dupla ou pequenos grupos demonstrou um maior interesse por outras atividades desde que não fossem somente atividades escritas. 
Freqüenta o CIES, onde recebe atendimento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e psicólogo. 
             A mãe dedica-se integralmente à sua educação e aos atendimentos médicos, relatou que a criança só começou a andar com nove anos de idade, depois de tratamento intensivo no Centro Especial e de estimulação feita em casa conforme orientação médica, também utilizando medicação específica para estimulação e fortalecimento dos músculos. Só começou a balbuciar as primeiras palavras quando entrou para a escola, a partir de 2008. Não tem equilíbrio ao andar, mas adquiri a cada dia mais autonomia, chegando a arriscar-se a correr nos intervalos e em casa também, ainda não pronuncia palavras, emite apenas sons e alguns fonemas, principalmente as vogais e os fonemas /m/ e /p/. 
Sua comunicação em casa é feita por meio de gestos que foram sendo aprendidos de acordo com a necessidade, porém a mãe procura estimular ao máximo sua verbalização, conforme as orientações que pede à fonoaudióloga. A mãe é muito presente na escola, a criança não se alimenta sozinha, por isso todos os dias durante o recreio a mãe vem à escola para dar a merenda da criança. Sua convivência em casa, segundo a mãe é boa, algumas vezes briga com os irmãos, mas brinca normalmente, gosta muito de assistir TV e imitar os cantores, demonstra grande interesse por computadores, fica extremamente agitado quando esta diante de um computador. 
Toda comunidade escolar manifesta carinho pela criança e o considera muito carinhoso, acreditando no seu progresso e ressaltando a grande contribuição da mãe ao acompanhar todo o seu processo. 
Sua freqüência não é muito boa, pois sempre adoece e a mãe precisa levá-lo ao médico, ou deixa-o em casa por medo, além disso, ele tem anemia falciforme. 
Discorreremos a seguir de maneira mais objetiva o problema encontrado no desenvolvimento do aluno em sala de aula regular, quais as principais barreiras encontradas na realização de suas atividades escolares que tem impedido que ele avance.


2.    ANÁLISE E CLARIFICAÇÃO DO PROBLEMA


Após observarmos o caso João Paulo, traçamos um pequeno perfil dele, destacando alguns pontos relacionados ao seu problema. João Paulo é uma criança de 12 anos, que tem deficiências múltiplas, apresenta problemas na socialização com outras crianças, não fala, apresenta inquietação, dificuldade de concentração, apresenta atraso na aprendizagem de matemática e dos mecanismos de leitura e escrita, têm problemas na motricidade fina e principalmente na comunicação.
  Sabemos que as deficiências intelectuais e físicas já nos remetem à idéia de limitações, às quais podem ocorrer de maneiras diferentes, e agravar-se, quando atrelada a outros fatores contextuais da vida, mas na busca de uma clarificação do problema, analisamos o caso e procuramos evidenciar os fatores que poderiam ser determinantes nesse processo. 
Identificamos alguns dos fatores que seriam determinantes para compreender o caso, entre eles o problema da comunicação, pois de acordo com Figueiredo e Paullin (2008,p.25) Os traços de personalidade e os comportamentos adaptativos não se desenvolvem no vazio, mas dentro de uma interação com o ambiente e a partir das experiências vividas pelo sujeito.” 
No caso estudado, o aluno apresenta dificuldades de adaptação e interação com o ambiente, pois não faz uso de uma linguagem que seja compreendida por aqueles que o cercam, sendo esse o motivo de muitas vezes apresentar um comportamento agressivo e inquieto, não demonstrando interesse pelas aprendizagens e atividades que lhes são propostas dentro de suas possibilidades.
Verificamos ainda, que a dificuldade apresentada na motricidade fina, também interfere significativamente em seu desenvolvimento, uma vez que “prejuízos de ordem motora e sensorial dificultam as trocas mais elementares desses sujeitos com o meio e instalam defeitos na forma como agem ao retirar informações do real e ao processarem os dados extraídos, ativa e logicamente.” (MANTOAN,1992, p.08) 
O aluno apresenta grande resistência para realizar atividades que envolvam coordenação motora, empilhar objetos, fazer sequências, ordenar elementos, entre outras atividades que estimulem a aprendizagem e o desenvolvimento motor não lhe despertam interesse e assim a sua vivencia e interação motora e sensorial não são estimuladas causando-lhe prejuízos no desenvolvimento global de suas habilidades.
Podemos, nesse contexto, inferir que o atraso no desenvolvimento cognitivo do aluno, está intimamente ligado à comunicação e à motricidade, sendo os principais problemas de ordem cognitiva e de linguagem ; uma vez que ele não apresenta dificuldades acentuadas para desenvolver as atividades de coordenação motora, mas na verdade ele não demonstra interesse e se nega a realizá-las por não as considerar importantes para seu desenvolvimento.
            Do ponto de vista do AEE, podem ser pensadas estratégias para solucionar os problemas de comunicação, onde utilizaremos recursos de comunicação alternativa e outros recursos de tecnologia assistiva, como por exemplo, pranchas de comunicação para aumentar o vocabulário, com relação ao seu desenvolvimento físico o AEE pode intervir confeccionando recursos de baixa tecnologia que facilitem o manuseio de objetos exercitando o tônus muscular, sendo ainda necessário que um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta oriente quanto ao tônus muscular, e dos movimentos reflexos que ele possa apresentar. Cognitivamente o AEE poderá intervir de modo a utilizar materiais diversos para trabalhar o desenvolvimento da escrita, e orientar a professora em sala de aula regular a utilizar suportes diversos e mídias variadas para apresentação dos textos, de modo que possam ser acessíveis para o aluno. 
As pessoas envolvidas nesse problema são: a família, a professora, os colegas, a professora de AEE e os profissionais de saúde. 
Para entender o problema é necessário observarmos a descrição do caso, e nos interrogarmos ainda sobre alguns detalhes como: 
·           O aluno apresenta dificuldade quanto à adequação postural? 
·           Há problemas com o tônus muscular? 
·            Há descontrole das atividades reflexivas e tônicas? 
·            A família sabe informar se há problemas com a cavidade bucal, ou nas cordas vocais que o impeçam de estabelecer uma fala compreensível? 
             De acordo com os relatos da professora da sala regular, da mãe e da professora do AEE, o aluno não apresenta dificuldade quanto à adequação postural, porém apresenta problemas com relação ao tônus muscular, não conseguindo realizar movimentos que envolvam a motricidade fina, como recortar papel, escrever e desenhar.
            Com relação ao descontrole das atividades reflexivas e tônicas, foi observado que o aluno não apresenta esse descontrole, conseguindo exercer domínio sobre essas atividades, embora não as desenvolva de maneira plena.
            De acordo com a mãe, a fonoaudióloga informou que não há impedimentos na cavidade bucal e nem nas cordas vocais que o impeçam de produzir fala, porém não há um diagnóstico preciso a cerca da ausência de fala na criança, sendo que o mesmo realiza tratamento com esse profissional há mais de três anos.
  • Ampliar as possibilidades de comunicação de João Paulo, através do uso de recursos de tecnologia assistiva,comunicação alternativa, facilitando a sua expressão e favorecendo a compreensão por parte dos colegas e a sua própria compreensão. 
  • Organizar situações de aprendizagem nas quais diversos recursos adaptados possam ser utilizados para que o aluno se aproprie dos mecanismos de leitura e escrita. 
  • Possibilitar a participação do aluno nas atividades pedagógicas e recreativas favorecendo o desenvolvimento de sua coordenação motora e ampliando sua autonomia quando da realização de atividades da vida diária. 
Serão os principais objetivos do plano de AEE, desenvolvido para João Paulo, sendo esse desenvolvido contemplando as necessidades apresentadas no relato de seu caso e desenvolvendo o que pode ser realizado pelo AEE, contemplando a proposta de incluir o aluno em sala regular e também desenvolver suas potencialidades no espaço da sala de recursos multifuncionais.
A interface do professor do AEE com a escola comum visa a compartilhar informações, orientações e a realizar a avaliação conjunta das necessidades do aluno e das adequações específicas para os alunos com surdocegueira e com deficiência múltipla. (BOSCO, 2010)





3.     FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

              O Atendimento Educacional Especializado surge com a Politica Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, objetivando complementar ou suplementar a formação do aluno com deficiência.

Uma das inovações trazidas pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) é o Atendimento Educacional Especializado - AEE, um serviço da educação especial que "[...] identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas" (SEESP/MEC, 2008). O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno, visando a sua autonomia na escola e fora dela, constituindo oferta obrigatória pelos sistemas de ensino. É realizado,
de preferência, nas escolas comuns, em um espaço físico denominado Sala de Recursos Multifuncionais. (ROPOLI, 2010, p.15)


           Assim sendo, o AEE deverá priorizar a identificação das necessidades e potencialidades apresentadas pela criança, pois cada aluno atendido irá apresentar peculiaridades que deverão ser consideradas na elaboração do plano de atendimento e no desenvolvimento do mesmo, de forma a promover a autonomia, a participação e a interação dessa criança em todos os espaços nos quais ela está inserida, e não somente na sala de recursos ou na sala regular. Observando-se todo o contexto em que ela está inserida, recolhendo informações da família, professores de sala regular, pessoal de apoio da escola, profissionais de saúde e colegas.
           Com relação à criança com deficiências múltiplas, de acordo com Bosco (2010)
  deve-se priorizar os sistemas adequados de comunicação, sendo ela receptiva ou expressiva, são imprescindíveis. Sem os sistemas adequados de comunicação, o avanço nos estágios de desenvolvimento da linguagem pode levar mais tempo para ocorrer.[...] lhe faltam os recursos de comunicação para responder significativamente ao meio ambiente
   ( BOSCO,2010,p.19). 



           Acreditamos que o AEE deverá organizar-se de forma a possibilitar a inclusão efetiva dos alunos com deficiências múltiplas, a partir da identificação de suas necessidades na eliminação das barreiras de comunicação, e no desenvolvimento de suas aprendizagens a partir da superação dos obstáculos surgidos pelos impedimentos na comunicação, pela falta de conhecimento do próprio corpo, pela falta de experiências sinestésicas e visuais, bem como por outras barreiras nos contextos em que essas crianças estão inseridas.
            O AEE é, portanto, um espaço de descobertas e observações, onde as identificações feitas a cerca da criança irão favorecer a construção de um plano de atendimento que será desenvolvido em conjunto, favorecendo a ampliação das possibilidades de comunicação, aprendizagem e interação com o meio e com os demais, onde a prioridade será esta, analisar, compreender e construir com a criança possibilidades para uma inclusão efetiva.
Para atender a todos e atender melhor, a escola atual tem de mudar, e a tarefa de mudar a escola exige trabalho em muitas frentes. Cada escola, ao abraçar esse trabalho, terá de encontrar soluções próprias para os seus problemas. As mudanças necessárias não acontecem por acaso e nem por Decreto, mas fazem parte da vontade política do coletivo da escola, explicitadas no seu Projeto Político Pedagógico - PPP e vividas a partir de uma gestão escolar democrática (ROPOLI, 2010).
Isso implica dizer que o processo de inclusão tem haver não só com as mudanças nas estruturas físicas de acesso à escola, mas em toda a organização escolar, incluindo a forma de trabalho, a qualidade da educação oferecida a essas pessoas com deficiência, bem como o atendimento às suas necessidades e peculiaridades, o AEE representa um avanço significativo no atendimento às necessidades das crianças com deficiências múltiplas, no entanto o acesso à sala de aula é fundamental para o fortalecimento do processo de inclusão.
Esse processo de inclusão se estabelece no dia a dia, fortalecendo-se na possibilidade que os alunos com deficiência têm de estabelecer relações de interação com professores, alunos e demais colaboradores do sistema educacional.
É interessante perceber que embora a maioria dos alunos com deficiências múltiplas apresente limitações na comunicação, existem inúmeras possibilidades de rompimento dessa barreira, permitindo a construção de diversos esquemas de comunicação, onde esses alunos estabelecem interações baseadas em formas bem peculiares de comunicação, porém há uma interação e uma troca de significados bastante relevante para a melhoria das relações estabelecidas pelos alunos com deficiências múltiplas.
O processo de inclusão de alunos com deficiências múltiplas permite entre outras coisas a construção de uma escola inclusiva, de uma escola onde as diferenças são respeitadas e cada aluno pode se desenvolver dentro de suas possibilidades, não havendo somente uma forma pré-estabelecida de aprendizagem ou de comunicação, não havendo mais uma forma padronizada e estereotipada de aluno, mas concepções variadas de educação e aprendizagem onde todos possam compreender e aprender sem necessariamente enquadrar-se em um padrão pré-estabelecido.
De acordo com a definição do Ministério da Educação e Cultura (MEC/SEESP, 2002) são consideradas pessoas com deficiências múltiplas, aquelas que apresentam mais de uma deficiência associada, sendo uma condição que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam o funcionamento individual e o relacionamento social. 
No caso estudado, o aluno apresenta paralisia cerebral, havendo um comprometimento motor e cognitivo, sendo que os principais problemas apresentados como agravantes do caso, estão relacionados à parte cognitiva, relacionados à aprendizagem e comunicação, sendo que o comprometimento motor não interfere tão acentuadamente em sua aprendizagem, uma vez que a criança embora apresente dificuldades na motricidade fina, não necessita de adaptadores para realizar movimentos e se locomove com autonomia.
Embora os grupos de pessoas com deficiências múltiplas sejam bastante heterogêneos e apresentem necessidades bastante específicas e peculiares, há alguns aspectos de bastante relevância no estudo das pessoas com deficiências múltiplas, no que diz respeito à comunicação e ao posicionamento.

                                      Todas as interações de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isto se refere a pessoas que possuem como característica a necessidade de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio. Assim, ocorrerá o estabelecimento de códigos comunicativos entre o deficiente múltiplo e o receptor. Esse mediador terá a responsabilidade de ampliar o conhecimento do mundo ao redor dessa pessoa, visando a lhe proporcionar autonomia e independência.Todas as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação diversas; assim, considera-se que qualquer comportamento poderá ser uma tentativa de comunicação. Dessa maneira, é preciso estar atento ao contexto no qual os comportamentos, as manifestações ocorrem e sua freqüência, para assim compreender melhor o que o aluno tem a intenção de comunicar e responder (BOSCO, 2010, p.11).


             O aluno possui uma maneira bastante individual de interagir, emitindo alguns sons e fazendo alguns gestos, os quais nem sempre são compreendidos por quem está ao seu redor, muitas vezes o aluno apresenta tentativas frustradas de estabelecer comunicação com os demais, e quando não consegue ser compreendido reage de maneira agressiva e apresenta um comportamento inquieto, chegando muitas vezes a gritar e bater nas carteiras.
De acordo com o que a autora acima nos relata esses comportamentos também indicam uma forma de comunicação, cabendo ao professor estar atendo às manifestações de tentativa de comunicação para poder intervir de maneira mais eficiente.
A comunicação precisa ser o mais significativa possível, para que os alunos com deficiência múltipla tenham interesse em comunicar-se, Honora e Frizando (2008) destacam que o que vai importar é quanto o ambiente e as experiências estão sendo propícios para que essa comunicação aconteça.
Além das habilidades de comunicação, também deverão ser desenvolvidas habilidades adaptativas, as quais implicarão na melhoria da qualidade de vida do aluno em todos os ambientes e contextos por ele explorados.
              Mantoan (1998) coloca de maneira bastante explicita a necessidade de se conhecer o universo da deficiência intelectual e toda sua complexidade para que se possa a partir de então trabalhar na perspectiva de desenvolver habilidades adaptativas. Essas habilidades são de suma importância,não só para a vida escolar, como também em todo o contexto social da pessoa com deficiência intelectual.
              Ainda de acordo com Mantoan (1992) os deficientes mentais/intelectuais, precisam de um apoio intelectual para estruturar condutas inteligentes, sendo imprescindível que esse apoio se concretize por meio de uma ação educativa adequada conduzida por um professor preparado para essa função; podendo-se afirmar, assim, que o professor de AEE deve identificar as potencialidades do aluno para poder subsidiar o planejamento de situações de aprendizagem para o aluno com deficiência. 
            Com relação ao caso estudado, foi observado que o aluno, não tem conseguido estruturar essas condutas, apresentando dificuldades de ordem cognitiva e de linguagem, e conseqüentemente de aprendizagem.
            Nesse caso, o uso de tecnologias assistivas serão de grande utilidade para  solucionar os problemas apresentados, de acordo com Bosco(2010) os objetivos da Tecnologia Assistiva são:
l Independência
l Qualidade de Vida e inclusão social
l Ampliar a comunicação
l Ampliar a mobilidade
l Ter controle do ambiente
l Dar apoio as habilidades para o trabalho
            Ao introduzir determinado recurso nas atividades dos alunos com deficiência múltipla o professor deverá ter plena consciência dos objetivos que quer alcançar, o que deverá ser traçado logo após uma avaliação sistemática das potencialidades e possibilidades do aluno com o qual o recurso será utilizado.
              Muitas vezes os alunos com deficiências múltiplas que apresentam paralisia cerebral e impedimentos na fala, não são estimulados à interagir com os demais, por que na maioria das vezes pais e professores desconhecem os recursos de Tecnologia Assistiva que podem ser utilizados para estimular o desenvolvimento da comunicação. A área da Tecnologia Assistiva que se destina especificamente à ampliação das possibilidades de comunicação é conhecida como Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).

A CAA possibilita a construção de novos canais de comunicação, através da valorização de todas as formas expressivas já existentes na pessoa com dificuldade de comunicação. Gestos, sons, expressões faciais e corporais devem ser identificados e utilizados para manifestar desejos, necessidades, opiniões, posicionamentos, tais como: Sim, Não, Olá, Tchau, Dinheiro,Banheiro, Estou bem, Tenho dor, Quero (determinada coisa para a qual estou apontando), tenho fome e outras expressões utilizadas no cotidiano. (SARTORETTO, 2010, p. 21-22).

              Os recursos utilizados para cada aluno são construídos de forma totalmente personalizada, pois cada um apresenta necessidades específicas, considerando diferentes aspectos e peculiaridades do contexto do aluno.
              No caso estudado, o aluno já possui uma forma singular de comunicar-se, através de gestos e emitindo sons, isso poderá ser trabalhado na perspectiva de ampliação e estimulação dessa comunicação com a introdução de recursos de tecnologia assistiva, utilizando-se a Comunicação Aumentativa e Alternativa.
              Ao projetar um recurso de comunicação alternativa devemos considerar três aspectos importantes: o vocabulário, símbolos gráficos e os recursos de comunicação.
              Para escolher o vocabulário a ser utilizado no recurso de comunicação, é necessário o envolvimento de todos aqueles que convivem com o aluno, que mantém uma relação de interação com o mesmo, pois será necessária a introdução de vocábulos que sejam válidos para os vários ambientes freqüentados pela criança.

                                      A seleção desse vocabulário leva em consideração dados da realidade concreta de cada aluno, tais como: idade, grupo de convívio, as expressões naturalmente utilizadas por eles, às coisas que estão disponíveis em seu ambiente familiar, social e escolar, os temas e conteúdos que estão sendo desenvolvidos na escola, a manifestação de necessidades que são individuais (SARTORETTO, 2010, p.22).

            Além da prévia seleção do vocabulário, o envolvimento com os parceiros de comunicação, irão facilitar a comunicação e permitir a aproximação dos envolvidos nesse processo.
            Os símbolos gráficos São imagens organizadas por categorias e que expressam idéias, sentimentos, ações, coisas, lugares, pessoas, temas de conhecimentos, entre outras possibilidades de representação Sartoretto (2010, p.23).
              Esses símbolos favorecem de maneira qualitativa a aprendizagem visual dos alunos e permitem entre outras coisas a utilização de imagens de uma realidade bem próxima como fotos do próprio aluno, de seus familiares, de sua casa e etc.
            Os recursos de comunicação podem variar qualitativamente quanto ao seu formato, tamanho, quantidade de mensagens que contém e quanto ao material utilizado para sua confecção.

Projetamos e construímos um recurso considerando-se as habilidades motoras, sensoriais (visuais e auditivas) e cognitivas do usuário, bem como a portabilidade e praticidade de uso.São exemplos de recursos de comunicação, entre outros: cartões de comunicação, pranchas de comunicação, pastas de comunicação, carteiras de comunicação e chaveiros de comunicação,mesa com prancha, colete de comunicação, agenda de comunicação, calendário e quadro de atividades, vocalizadores e o próprio computador.(SARTORETTO, 2010, p. 26)


Como a professora do AEE já havia tentado o uso de pranchas de comunicação com o aluno do caso apresentado, sem muito sucesso, uma alternativa seria o uso de calendários, aventais e até mesmo do computador, uma vez que o aluno demonstra bastante interesse por esse recurso tecnológico.
Os recursos de comunicação consistem em importantes ferramentas para o desenvolvimento de atividades para os alunos com deficiências múltiplas, e mais especificamente quando o problema diz respeito às limitações na comunicação e problemas na fala, pois permitem a ampliação do repertorio e utilização de canais de comunicação e favorecem a assimilação dos mais diversos significados do mundo externo que a criança só passa a compreender quando interage com ele.
Mas além desses recursos, Honora e Frizanco (2008) destacam outras atividades relevantes para a superação das necessidades educacionais da criança com deficiências múltiplas:
·         Planejamento de atividades da vida diária;
·         Estimulação constante da comunicação;
·         Interação com ambientes naturais, objetos e pessoas;
·         Organização de situações de aprendizagens centradas em experiências da vida real;
·         Realização de atividades funcionais e significativas;
·         Exploração dos ambientes escolares para fortalecimento da autoestima e sentimento de segurança;
·         Manuseio de objetos que ampliem sua experiência sensório-motora.
Relacionando essas atividades ao caso estudado, percebemos que se relacionam diretamente às necessidades apresentadas pelo aluno, pois o mesmo além das necessidades cognitivas e de linguagem, também apresenta limitações na coordenação motora fina, as quais dificultam o seu desenvolvimento autônomo.
Nesse contexto, todas as informações apresentadas pelo aluno serão relevantes no processo de construção da autonomia, e o professor de AEE em parceria com a família, os demais professores e profissionais de saúde e em interação constante com o aluno poderá elaborar um plano de atendimento eficaz, em resposta as necessidades do aluno e utilizando as potencialidades por ele apresentadas quando da avaliação feita previamente pelo professor.
Para a elaboração do Plano, organização e sistematização desse trabalho, utilizamos a metodologia de aprendizagem colaborativa em rede, a qual nos permitiu desenvolver um trabalho seguindo etapas organizadas o que foi importante na sistematização de nossos conhecimentos e ainda nos possibilitou selecionar uma maior quantidade de dados sobre o assunto. Os instrumentos utilizados foram a observação e entrevistas, os quais foram de fundamental importância para a elaboração do plano e busca da solução do problema identificado, como discorreremos a seguir.


























4. METODOLOGIA

A aprendizagem colaborativa em Rede – ACR foi utilizada durante todo o curso de Especialização em Atendimento Educacional Especializado e também foi utilizada para a realização desse trabalho. Essa metodologia foi desenvolvida por nós com as seguintes etapas: Proposição do caso, Análise e Clarificação do problema, Discussão do problema, Solução e socialização do problema, elaboração dos planos de AEE.
Para a proposição do caso, utilizamos a observação em sala de aula e realizamos entrevistas com a mãe, e as professoras de sala regular e sala de AEE. Na etapa de Análise e Clarificação do problema, observamos o aluno em diferentes momentos e ambientes da escola, procurando solucionar o problema, foi realizada uma avaliação com o aluno e após rever o referencial bibliográfico pré-selecionado, elaboramos um plano de Atendimento Educacional Especializado para o mesmo.
            Os instrumentos para coleta de dados e elaboração do caso e do plano de AEE foram a observação do aluno em sala de aula regular, no pátio da escola nos momentos de acolhida e recreio, na biblioteca e na sala de recursos multifuncional, e entrevistas com a mãe, a professora de AEE e os professores da sala regular, após as entrevistas, foi realizada uma avaliação com o aluno na sala de AEE.
            Esses instrumentos foram importantes por nos fornecerem subsídios para a elaboração de um plano de atendimento consistente e com muitas informações sobre o aluno, nesse plano foram selecionadas atividades adequadas às possibilidades por ele apresentadas na avaliação, as quais estão organizadas de acordo com os objetivos propostos, encontramos ainda no plano uma lista de materiais que deverão ser adquiridos para facilitar o atendimento e a lista de parcerias que serão úteis e melhorarão o desenvolvimento dele, conforme veremos no capítulo seguinte.
           





5. PLANO DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO


O Plano de Atendimento Educacional Especializado é um instrumental de fundamental importância para o atendimento da criança com deficiência, pois ele norteará o desenvolvimento do trabalho do professor de AEE; nele constam os objetivos, atividades, materiais que necessitam ser adaptados entre outras informações que expressam todo um contexto que foi previamente estudado. Esse plano se caracteriza como uma resposta/solução ao problema estudado, analisado e explicitado nas etapas anteriores.

5.1 Dados de identificação 

Nome do aluno: João Paulo Lima Rosa Cavalcante 
Idade: 12 anos
Ano: 3°
Turma: 13AT
Turno: Manhã
Escola: E. M. O. G. Rego de Carvalho 
Professor do ensino regular: Talita Tarcis
Professor do AEE: Rochelli Soares Pontes 

5.2 Plano de AEE 
É importante que sejam traçados objetivos sempre considerando as potencialidade do aluno, o que ele pode desenvolver e como ocorrerá esse processo, não sendo aconselhável iniciar a partir das limitações por ele apresentadas e sim das possibilidades apresentadas.
Mas do que uma perspectiva de superação, o objetivo maior do Plano de Atendimento Educacional é o desenvolvimento do aluno.
 
1. Objetivos do plano
  • Ampliar as possibilidades de comunicação, através do uso de recursos de tecnologia assistiva e comunicação alternativa;
  • Estimular a memorização através da organização de experiências diversas de aprendizagem;
  • Desenvolver a capacidade de estabelecer semelhanças e diferenças entre objetos diversos;
  • Organizar situações de aprendizagem nas quais diversos recursos adaptados possam ser utilizados para que João Paulo se aproprie dos mecanismos de leitura e escrita;
  • Possibilitar a participação do aluno nas atividades pedagógicas e recreativas favorecendo o desenvolvimento de sua coordenação motora e ampliando sua autonomia quando da realização de atividades da vida diária. 

5.3  Organização do atendimento
        
        Para a organização do atendimento é necessário considerar todo o contexto no qual o aluno está inserido, os outros atendimentos que ele poderá fazer com os profissionais de saúde, a participação da família e etc. considerando-se esse contexto o professor deverá considerar ainda os objetivos propostos e estabelecer um período de tempo adequado para o atendimento entendendo que as respostas por parte do aluno poderão ser bem lentas. Outro fato importante é estabelecer se esse atendimento deverá ser individual ou coletivo, e quais as possibilidades apresentadas em cada caso, no caso estudado optamos pelo atendimento coletivo para promover uma maior interação, favorecendo o desenvolvimento da comunicação, que é um de nossos objetivos.

  • Período de atendimento: de março a dezembro de 2011
  •  Freqüência: duas vezes por semana 
  • Tempo de atendimento: 01h30min 
  • Composição do atendimento: (  ) individual ( x ) coletivo 
  • Outros



5.4  Atividades a serem desenvolvidas no atendimento ao aluno
       
      Para cada objetivo proposto inicialmente, selecionamos uma lista de atividades direcionadas, as quais poderão servir  para desenvolver outros aspectos ou objetivos posteriormente. Essas atividades permitem ainda que o aluno possa se familiarizar ainda mais com o ambiente escolar e buscam também motivá-lo  a participar das atividades realizadas em sala regular.

5.4.1     Ampliar as possibilidades de comunicação, através do uso de recursos de  tecnologia assistiva, comunicação alternativa, facilitando a sua expressão e favorecendo a compreensão por parte dos colegas e a sua própria compreensão:
  • seleção do vocabulário junto ao aluno, colegas, professores, família e comunidade escolar;
  • utilização de pranchas de comunicação com letras e números ;
  • montagem de frases usando cartões de comunicação; 
  • dramatização de histórias com auxilio do colete de comunicação; 
  • organização da agenda de comunicação; 
  • exploração de gestos e expressões faciais e corporais para a comunicação; 
  • utilização de miniaturas, objetos variados, desenhos e fotografias, associando-os à linguagem verbal; 
  • estimular o aluno a fazer perguntas e responder perguntas dos colegas utilizando-se de diversos recursos de comunicação; 

5.4.2 Diante da necessidade de estimular a memorização, podem ser desenvolvidas as seguintes estratégias: 
  • Fixar e ordenar experiências como forma de treinar a memória usando o livro de experiência real, confeccionando após as atividades realizadas. 
  • Uso de objetos de referência e da caixa de antecipação, onde a aluna irá organizar seus objetos e fazer suas antecipações sobre atividades. 
  • Utilização de calendários de diferentes tipos começando pelo Calendário de Objetos de Referencia, Calendário com apoio de Pista de Cheiro, Calendário de Prancha, Com PCS e Pista Visual. 
  • Uso da caixa de memória, utilizando objetos para representar situações como uma festa e colocamos na caixa para que a criança vá criando referencias sobre a situação.
  • Livro de memória, colecionando gravuras, desenhos e fotografias, essas imagens compõem material de pensamento para a criança.
  •  Dramatização – a criança pode representar situações cotidianas despertando sua memória e atenção de acordo com a sua imaginação, percepção e desenvolvimento social e emocional. 

5.4.3 Para desenvolver a capacidade de estabelecer semelhanças e diferenças entre os objetos serão realizadas as seguintes atividades:

  • Uso de jogos como dominó com imagens e texturas variadas, utilizando critérios de associações e emparelhamento.
  • Apresentar cartões em pares com figuras: plantas, animais, formas geométricas, letras, números e fotos para emparelhamento.
  • Classificar objetos usando caixa de classificação: fornecer miniaturas de animais, frutas, botões de cores, tamanho e formas variadas.
  • Confecção de um caderno de comunicação com os nomes dos animais trabalhados (plantas e outros) e as características dos mesmos como:
pena/pêlo, cor, aves, etc. 

5.4.5     Organizar situações de aprendizagem nas quais diversos recursos adaptados possam ser utilizados para que João Paulo se aproprie dos mecanismos de leitura e escrita:
  • utilização de jogos de seqüência lógica de imagens, palavras, frases e histórias;
  • atividades que orientem o uso convencional do caderno; 
  • jogos de memória, pareamento;
  • jogos de categorização com miniaturas de diferentes texturas, cores e tamanhos, adaptados com velcro para facilitar o manuseio; 
  • utilização dos cartões de comunicação para organização e produção de frases;
  • uso de fichas com gravuras ou fotos numeradas para organizar a seqüência de uma história;
  • utilização de textos verbais e não verbais para atividades de reconto e ilustração;
  • uso de pranchas com letras, sílabas, palavras e frases;
  • associação de gravuras e letras;
  • atividades de associação entre miniaturas, pranchas de comunicação e a linguagem escrita;
  • utilização de cartazes para contar uma história;
  • confecção de cadernos de receitas e cadernos de registros;
  • atividades com alfabetos móveis de diversos tamanhos e cores, bem como alfabetos ilustrados;
  • atividades com textos em diversos suportes, para facilitar o acesso do aluno; 

5.4.6 Possibilitar a participação do aluno nas atividades pedagógicas e recreativas favorecendo o desenvolvimento de sua coordenação motora e ampliando sua autonomia quando da realização de atividades da vida diária:

  • atividades utilizando massa de modelar;
  • recorte e colagem de gravuras para registros no caderno de comunicação;
  • manuseio de objetos diversos e miniaturas;
  • jogos de montar e empilhar;
  • pintura a dedo com tinta guache;
  • utilização de pinceis para escrita, evitando a fadiga muscular;
  • atividades de desenho livre, utilizando lápis e pincéis; 
  • manuseio de livros variados com textos verbais e não verbais;
  • utilização do computador, para realizar atividades e jogos de comunicação;
  • atividades de dramatização, utilizando mímicas, gestos e expressões corporais e faciais  diversas. 




5.5     Seleção de materiais a serem produzidos para o aluno. 
      
 Como o plano é individual e as atividades são direcionadas especificamente para o aluno, há também necessidade de produzir alguns materiais e recursos específicos para o desenvolvimento dessas atividades, sendo assim, listamos os materiais que deveriam ser produzidos considerando-se as atividades propostas acima.
  • Pranchas, cartões, cadernos de comunicação;
  • Fichas de comunicação;
  • Jogos com gravuras e fotos;
  • Álbum seriado, flanelografo, fantoches e outros suportes para apresentação dos textos;
  • Caixa de antecipação;
  • Calendários;
  • Caderno de comunicação;
  • Livro de experiência real.

5.6     Adequações de materiais:
Essas adequações são feitas sempre que o aluno apresenta problemas na adaptação aos materiais, alguns casos por exemplo, o aluno pode apresentar problemas no tônus muscular e necessitar de uma tesoura adaptada.No caso do aluno estudado não há necessidade de adequações de materiais.

5. 7  Seleção de materiais e equipamentos que necessitam ser adquiridos:
            Nesse item do plano de atendimento são listados os e materiais que serão necessários para o desenvolvimento das atividades com o aluno e que a escola não dispõem, esse materiais serão selecionados e tomadas as devidas providencias para sua aquisição permitindo que o plano seja executado de acordo com o que foi proposto. Para realizar o atendimento com o aluno selecionamos os seguintes materiais:
  • Quanto ao uso dos computadores: adaptações visando facilitar o acesso do aluno aos recursos oferecidos pelo computador: mesa à altura para que possa ter apoio dos braços, cotovelos, coluna ereta e pés no chão; antiderrapante para os objetos como mouse, teclado, caixas de som; 
  • Mobiliários: adaptações de mobiliário, adequando-o à postura do aluno, contribuindo para maior conforto e aumento do seu rendimento escolar: a escola poderá modificar a cadeira e/ou carteira aumentando ou diminuindo sua altura.
  • Feltro;
  • Fotos;
  • Miniaturas diversas;
  • Jogos diversos;
  • Papelão;
  • Papel cartão.

5. 8. Tipos de parcerias necessárias para aprimoramento do atendimento e da produção de materiais
            O professor de AEE só poderá intervir de forma pedagógica, necessitando estabelecer parcerias para que o aluno se desenvolva em todos os seus aspectos, nesse item do Plano, serão listados os profissionais que poderão ajudar no atendimento e na produção de materiais para o aluno, observando-se o problema apresentado, optamos pelas seguintes parcerias:
Será de suma importância buscar parcerias: 
  • com fonoaudiólogo para realização de terapias e melhoria da comunicação do aluno, através da fala;
  • fisioterapeuta para desenvolver atividades na parte motora da criança. 
Observamos, porém que no decorrer do plano poderão ser percebidas as necessidades de outros profissionais de saúde para auxiliar no processo de desenvolvimento do aluno e os mesmos serão solicitados a estabelecer parceria com o professor de AEE. 

5. 9. Profissionais da escola que receberão orientação do professor de AEE sobre serviços e recursos oferecidos ao aluno
            Nesta parte do plano são listados os profissionais da escola que em parceria ajudarão no desenvolvimento da criança, para tanto necessitam de orientação específica do professor de AEE, entre esse profissionais destacamos aqui:
  • Professor de sala de aula;
  • Colegas de turma;
  • Diretor escolar;
  • Equipe pedagógica;
  • Família 

5.10valiação dos resultados
Avaliação é um processo construtivo, nesse ponto do plano será indicada a forma de avaliação utilizada para verificar como está se desenvolvendo o plano, verificar sua exequibilidade, sua eficácia, e as necessidades apresentadas durante o processo; indica-se aqui a forma de registro que será utilizada pelo professor para observar os avanços do aluno.

O plano deverá ser avaliado durante toda a sua execução. 
O registro da avaliação do plano deverá ser feito em um caderno ou ficha de acompanhamento, onde serão descritos pelo professor do AEE o uso do serviço e do recurso em sala de aula, durante o AEE e no ambiente familiar. 
No registro, deverão constar as mudanças observadas em relação ao aluno no contexto escolar: o que contribuiu para as mudanças constatadas; repercussões das ações do plano de AEE no desempenho escolar do aluno. 

5.11  Resultados obtidos diante dos objetivos do Plano de AEE
            Nesse espaço deverão constar as expectativas do professor em relação aos resultados obtidos diante dos objetivos traçados, suas pretensões caso esses objetivos não sejam alcançados.
 
            Esperamos obter 100% dos resultados propostos nos objetivos do plano, porém se necessário, estaremos modificando atividades, fazendo adequações nos recursos e reformulando os objetivos, de maneira a obter o máximo de desenvolvimento do aluno. 

5.12Reestruturação do Plano

O professor já deverá fazer algumas antecipações, prevendo as alternativas que poderá dispor,caso o plano não seja adequado ao aluno, que possibilidades de mudança o professor tem diante do plano. O que ele deverá mudar ou poderá mudar, devem constar na reestruturação do plano.

Embora o plano seja elaborado de acordo com as necessidades e potencialidades apresentadas pelo aluno,após a avaliação do mesmo,o professor poderá perceber a necessidade de fazer adequações,o aluno pode não conseguir utilizar algum recurso, e algumas atividades podem não estimular o aluno, nesses casos o plano poderá ser reestruturado, observando-se os seguintes aspectos:
·         Pesquisar e implementar outros recursos.
·         Estabelecer novas parcerias.
·         Desenvolver outras atividades;
·         Reformular os objetivos com base no desenvolvimento apresentado pela criança. 













CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos afirmar que o trabalho desenvolvido foi bastante satisfatório, uma vez que conseguimos coletar muitas informações sobre o aluno, o que nos permitiu analisar de forma qualitativa o problema e buscar soluções viáveis par a o mesmo. Além disso, vislumbramos de forma ainda mais coerente o Plano de AEE, pois a partir das informações e observações feitas traçamos objetivos e atividades dentro das necessidades e potencialidades apresentadas pelo aluno.
              O plano de AEE deverá ser desenvolvido pelo professor de modo que o aluno alcance um desenvolvimento pleno de suas habilidades, fazendo-se necessárias as parcerias nele descritas, bem como a participação de todos os envolvidos no processo inclusivo, além de avaliação continua de seus resultados visando uma reestruturação sempre que houver necessidade.
              Ressaltamos aqui que todo processo demanda tempo, esforço e compromisso, o processo inclusivo é relativamente novo no que diz respeito aos avanços conseguidos, no entanto, as discussões sobre inclusão da pessoa com deficiência não são tão novas, embora uma grande maioria dos professores digam-se não preparados para desenvolver uma educação inclusiva, os professores de AEE, devem trabalhar não só para o desenvolvimento dos alunos que atendem nas salas de recursos, mas construir uma educação inclusiva, disseminando os conhecimentos adquiridos e efetivamente mostrando que é possível incluir verdadeiramente a criança com deficiência.
           








REFERÊNCIAS
BOSCO, Ismênia C. M. G.(Org.) A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar : surdocegueira e deficiência múltipla. Fortaleza: UFC, 2010.199p.


FIGUEIREDO, R. V.;  POULIN, J. Aspectos funcionais do desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência mental e metodologia de pesquisa. Disponível em: http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos . Acesso em: 20 de mai. 2010 

HONORA. Márcia; Mary L.FRIZANCO, Esclarecendo as Deficiências. São Paulo:Ciranda Cultural, 2008.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Educação escolar de deficientes mentais: problemas para a pesquisa e o desenvolvimento. Disponível em: http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos . Acesso em: 20 de mai. 2010

_________________________.(Org) A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: A Escola Comum Inclusiva.Disponível em: http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos/aplic/index.php?cod_curso=135
Acesso em : 04 de mai.2010

ROPOLI, Edilene Aparecida. A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva. Fortaleza: UFC, 2010.

SARTORETTO, Mara Lúcia. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar : recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa Fortaleza: UFC, 2010.


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